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Revista Amazônia

USP desenvolve plástico biodegradável feito de mandioca

Publicado em 28 outubro 2019

Os pesquisadores desenvolveram uma técnica que utiliza o gás ozônio para processar o amido e melhorar as propriedades do plástico.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um novo tipo de plástico biodegradável que tem como matéria-prima o amido de mandioca.

O composto foi produzido por duas unidades da USP: a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, e a Escola Politécnica (Poli), a partir de uma técnica que utiliza o gás ozônio para processar o amido e melhorar as propriedades do plástico.

O produto final é transparente e resistente, podendo ser utilizado nos mais diversos tipos de embalagens. Segundo os pesquisadores, a patente já foi requerida, visando a transferência da tecnologia para a indústria.

“A busca por alternativas renováveis para a produção de plásticos biodegradáveis é crescente, sendo foco do estudo de diversos grupos de universidades no mundo inteiro”, explica o professor Pedro Esteves Duarte Augusto, coordenador do Grupo de Estudos em Engenharia de Processos (Ge²P) da Esalq. “Uma das possíveis matérias-primas para a produção desses plásticos é o amido, ingrediente natural obtido de vegetais como milho, mandioca, batata, arroz, entre outros.”

De acordo com o professor, houve a necessidade de formação de um grupo de pesquisa multidisciplinar porque a produção de plásticos a partir de amidos tem sido explorada há 15 anos pelo grupo da professora Carmen Cecilia Tadini, do Laboratório de Engenharia de Alimentos (LEA) da Poli e do Food Research Center (FoRC), um dos Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Por outro lado, no Ge²P estudamos, desde 2015, diferentes tecnologias para modificação de amidos e possíveis aplicações”, afirma Duarte Augusto. O grupo já vem trabalhando com tecnologias de ultrassom e irradiação, além de estudos com modificação de amidos com ozônio, como a melhoria da expansão no forno e impressão 3D.

Ozonização e produção do plástico biodegradável

A pesquisadora boliviana Carla Ivonne La Fuente Arias, engenheira química e de alimentos, desenvolve seu pós-doutorado no Ge²P, em parceria com o LEA e com bolsa da Fapesp. Ela destaca o aspecto inovador do projeto, que consiste na modificação do amido de mandioca a partir da ozonização para a produção de filmes.

“Trata-se de uma tecnologia verde, amigável com o ambiente. Esse é o foco, modificá-lo com o ozônio de maneira a melhorar suas propriedades na forma nativa. Produzimos assim esse plástico biodegradável e, mesmo ainda na etapa inicial, já obtivemos um produto de boa qualidade. A próxima etapa, a ser executada na Poli, é a produção em escala semi-industrial”, explica.

A fase final do projeto é realizada na Esalq, com as etapas de ozonização, secagem e caracterização das amostras de amido. Após isso, Carla leva o material até a Poli para preparar e caracterizar o plástico biodegradável.

O plástico biodegradável resultante é resistente, transparente e impermeável. “O processamento dos amidos com ozônio permitiu a obtenção de filmes plásticos mais resistentes e homogêneos, com diferente interação com a água e, em alguns casos, melhor transparência”, detalha Carla.

“Essas são características de grande interesse industrial, demonstrando como a tecnologia de ozônio pode ser útil para a fabricação de plásticos biodegradáveis com propriedades melhores do que utilizando apenas o amido nativo.”

Nos próximos anos, com a sua produção em larga escala, o produto deve ser utilizado no mercado de várias formas. “As aplicações são inúmeras, já que embalagens mais resistentes e transparentes são desejáveis em grande parte das aplicações”, destaca. Um pedido de patente já foi depositado, visando à transferência de tecnologia para a indústria.

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