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Raiz do problema da biodiversidade

Publicado em 20 setembro 2011



Florestas primárias são insubstituíveis para a manutenção da biodiversidade tropical, afirma um estudo divulgado no dia 14 de setembro de 2011 no site da Nature e que será publicado em breve na edição impressa da revista. O trabalho - uma metanálise de 138 estudos anteriores - destaca que a maior parte das formas de degradação florestal tem um efeito prejudicial enorme na biodiversidade tropical. Segundo o novo estudo, as florestas secundárias não são capazes de ocupar a lacuna deixada pelas antigas, que são fundamentais para a permanência de muitas espécies.

Florestas tropicais com pouca ou nenhuma intervenção humana estão diminuindo devido à conversão e degradação de atividades antrópicas e, em muitas regiões, têm sido substituí­das por plantações, pastos ou florestas secundárias.

Luke Gibson, da Universidade Nacional de Cingapura (NUS), e colegas analisaram os diversos efeitos do uso da terra e da degradação local na biodiversidade de florestas tropicais. Um dos autores do estudo é Thomas Lovejoy, do John Heinz III Center for Science, Economics and the Environment, nos Estados Unidos, e pesquisador associado do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Os autores verificaram que a dimensão da perda de biodiversidade depende de fatores como região geográfica, grupos taxonômicos analisados, tipo de intervenção humana no local e da medida utilizada para calcular a própria perda.

"Alguns cientistas têm afirmado que as florestas tropicais degradadas são capazes de manter ní­veis elevados de biodiversidade, mas nosso estudo demonstra que isso raramente ocorre", disse Gibson.

"Não há substituto para as florestas primárias. Todas as principais formas de intervenção [humana] invariavelmente reduzem a biodiversidade em florestas tropicais", disse o pesquisador. Segundo ele, a proteção das florestas primárias deve ser uma das prioridades da conservação mundial.

O artigo Primary forests are irreplaceable for sustaining tropical biodiversity (doi:10.1038/nature10425), de Luke Gibson e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

FONTE: Agência Fapesp