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A Gazeta (Cuiabá, MT)

Natureza em alerta

Publicado em 20 julho 2021

Por Da Redação

As inundações que assolaram a Alemanha a Bélgica e os incêndios que consumiram recentemente grandes áreas na Espanha e nos Estados Unidos podem ser novos alertas que a natureza está fazendo quanto à necessidade de os países reverem suas políticas ambientais e de crescimento econômico. Especialmente o Brasil, onde está boa parte das maiores florestas tropicais do mundo e cujas análises demonstram um desequilíbrio crescente que vem se agravando nos últimos anos.

Um estudo publicado na semana passada na revista científica Nature mostra que algumas áreas da Floresta Amazônica passaram a emitir mais dióxido de carbono do que absorvem. Ele levou em consideração amostras de ar coletadas entre os anos de 2010 e 2018 e constatou que a parte sudeste da Amazônia se tornou uma grande fonte de emissão de COZ. Durante os últimos 50 anos, as plantas e o solo absorveram mais de 25% das emissões de gás carbônico. Já as emissões aumentaram em até 50%, segundo mostrou a pesquisa. Fatores como o desmatamento causado pelo homem e os efeitos das mudanças climáticas podem ter influenciado a capacidade do bioma de atuar como um “ filtro ” de um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. O alerta já havia sido feito em 2020, em um boletim divulgado em janeiro daquele ano pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A publicação alertava para o fato de que a Amazônia está perdendo sua capacidade de atuar como um freio ao processo de aquecimento global. Entre 2010 e 2017, a maior floresta tropical do planeta liberou anualmente, em média, algumas centenas de milhões de toneladas a mais de carbono do que retirou do ar e estocou em sua vegetação e solo, revelou o boletim. Segundo Renata Libo nati, professora do Departamento de Meteorologia da UFRJ, o fato de a Amazônia perder a capacidade de remover o dióxido de carbono da atmosfera faz com que a região fique mais propensa às secas. Ou seja: cada vez menos úmida. Assim, faz com que haja redução de umidade no Centro-Sul do pais.

Ela alerta que é necessário não apenas conter as emissões de gases do efeito estufa, mas diminuir o desmatamento na Amazônia. O que não vem ocorrendo no país, mesmo depois dos apelos internacionais e de compromissos firmados pelo governo federal. O desmatamento na Amazônia simplesmente bateu recorde este ano, experimentando o pior abril da série histórica, iniciada em 2016, como mostra o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O mesmo que recentemente perdeu a função de divulgar dados de queimadas por determinação do governo federal.