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Mãe-Canguru e Prematuros

Publicado em 19 fevereiro 2009

A incubadora pode não ser sempre a melhor escolha para tratar bebês de baixo peso. Uma forma de tratamento alternativa é o método mãe-canguru, em que o recém-nascido fica junto da mãe o tempo todo preso com uma faixa ao corpo dela (daí o nome do método). Na tese de doutorado da Faculdade de Medicina da USP, "Modelos de assistência neonatal: comparação entre o método mãe-canguru e o método tradicional", a médica Maria Haydée Augusto Brito fez uma comparação entre as duas formas de assistência e chegou à conclusão de que o método canguru possibilita uma melhor evolução para os prematuros, apesar de o método tradicional (com uso de incubadora) ter um papel muito importante no tratamento inicial desses bebês. Ela analisou os dois modelos sob os seguintes aspectos: crescimento e desenvolvimento do bebê, forma de aleitamento e vinculação afetiva da mãe com a criança. O estudo contou com a participação de 70 mães e seus bebês e foi realizado num hospital público no Ceará e mostrou que as crianças do método canguru se alimentavam, em média, com 75% de leite materno e 25% de leite de fórmula. Os bebês de incubadora se alimentavam, em média, com 75% de leite de fórmula e 25% materno. "As evidências científicas recomendam o leite materno mesmo que o bebê não ganhe tanto peso quanto ganharia se alimentado com fórmulas lácteas", diz Haydée. Ela revisou estudos já publicados sobre o assunto, que avaliavam que o bebê alimentado com o leite da mãe tem melhor desenvolvimento de longo prazo. Ainda em relação ao aleitamento materno, os dados coletados pela pesquisadora mostraram que o bebê prematuro assistido pelo método canguru tinha chance 37 vezes maior que aqueles assistidos pelo método tradicional de estar mamando no peito no momento da alta hospitalar. Antes de os recém-nascidos terem alta, Haydée fez uma última entrevista com as mães, nos moldes da primeira. Ela avaliou que "na saída, as mães integrantes do grupo do método canguru apresentaram uma avaliação de superação das dificuldades trazidas pela condição de nascimento do bebê, enquanto as do método tradicional apresentaram, ainda, uma situação de necessidade." Haydée ressalta que "a assistência neonatal deve favorecer a presença materna, deve preocupar-se com o equilíbrio mental do bebê, com sua adaptação psicossocial e não só com sua saúde orgânica".

Agência Fapesp