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Jornal da Ciência online

Inpe sob pressão

Publicado em 06 agosto 2021

Por Yuri Vasconcelos | revista Pesquisa FAPESP

O mais importante centro de pesquisas espaciais do País chega aos 60 anos com orçamento reduzido, continuidade de alguns projetos importantes indefinida e grandes desafios pela frente

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) completou seis décadas de existência em 3 de agosto. Criado no início da corrida espacial, protagonizada pelos Estados Unidos e a antiga União Soviética, com a finalidade de desenvolver pesquisas, tecnologias e aplicações ligadas ao setor espacial, o órgão consolidou-se como uma das mais relevantes instituições científicas do país. Ao longo de sua história, destacou-se pela realização de investigações pioneiras em áreas como astrofísica, aeronomia (estudo das altas camadas da atmosfera), clima espacial, meteorologia e mudanças climáticas. Consagrou-se também por um bem-sucedido programa de desenvolvimento de satélites e outros artefatos espaciais, por ter introduzido no país a previsão do tempo moderna, baseada em modelos processados por supercomputadores, e pela implantação do monitoramento ambiental, com foco na floresta amazônica, realizado com o apoio de imagens de satélite. Notabilizou-se, ainda, por um ativo programa de pós-graduação, pelo qual já foram titulados mais de mil doutores e quase 2,5 mil mestres.

O momento de celebração, contudo, é marcado pela preocupação com a situação atual e os rumos futuros do instituto, que tem sede em São José dos Campos, no interior paulista, e presença em outros seis estados da federação. Sob forte restrição orçamentária, progressiva perda de quadros, críticas de alas do governo federal, que colocaram em dúvida dados divulgados pelo órgão, e tendo sofrido uma recente reestruturação organizacional criticada por parte dos servidores, o Inpe enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história e tem pela frente enormes desafios para dar continuidade aos projetos em andamento e conseguir executar novos empreendimentos científicos e tecnológicos.

Veja o texto na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp