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Blog Higiene e Segurança Alimentar

Alimentos ultraprocessados

Publicado em 30 janeiro 2020

Por http://higieneesegurancaalimentarunifal.blogspot.com/p/atividades.html

Você já pensou sobre quais alimentos passam por processos industriais até chegarem à sua mesa? Diariamente, ao sair para as compras, pode-se perceber o fato de que somos consumidores de alimentos que sofreram algum tipo de processo industrial, desde o pacote de arroz até o sorvete. Por isso, existem classificações para os alimentos em graus de industrialização, em 2014 o Ministério da Saúde criou o Guia alimentar para a população brasileira baseado na classificação feita por Carlos Augusto Monteiro, e seu grupo de pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

Dessa forma, os alimentos foram divididos de acordo com o nível de industrialização à qual foram submetidos, isto é, existem os alimentos in natura ou minimamente processados que correspondem àqueles que advém de plantas e animais, como frutas, legumes, grãos, leite, ovos, verduras e carne. Estes por sua vez podem ser submetidos à processos como moagem, pasteurização, resfriamento, congelamento, fracionamento, higienização, congelamento e fermentação.

Já os alimentos processados são aqueles que recebem adição de sal, açúcar e outras substâncias de uso culinário com o objetivo de aumentar a durabilidade e palatabilidade, como por exemplo    frutas e legumes acondicionados em salmouras, salga e calda; peixes e carnes enlatados e conservados em sal, óleo, defumados e queijos curados. Existem também os ingredientes processados, que são extraídos de produtos in natura através de processos industriais, como o azeite, a manteiga, o sal e açúcar, sendo estes empregados na hora do preparo de alimentos.

E por fim, os alimentos ultraprocessados, que correspondem àqueles que são produzidos majoritariamente por compostos químicos extraídos de alimentos e modificados, como gorduras hidrogenadas, amido modificado, além daqueles que são sinteticamente obtidos, como conservantes, corantes e aromatizantes artificiais.

Na maioria dos casos, são utilizados ingredientes de baixo custo, como por exemplo, açúcares, sal, gordura e proteína caracterizando os ultraprocessados em alimentos de baixo valor nutricional. Usualmente, podem ser encontrados facilmente em qualquer rede de mercados sob as mais variadas formas, como alimentos prontos para o consumo, por exemplo, achocolatados, salgados de milho, biscoitos, embutidos e bebidas adoçadas como refrigerantes, iogurtes e sucos em pó; Por conta de tais características, que os fazem mais práticos para o consumo rápido e aumentam a sensação de prazer ao serem ingeridos, são cada vez mais consumidos pela população brasileira.  

Quais são os problemas associados ao consumo de ultraprocessados? Segundo pesquisas, cerca de 28% dos alimentos disponíveis nas residências das famílias brasileiras em 2009 correspondiam a alimentos ultraprocessados. Além disso há estudos que associam o consumo de tais produtos a problemas de saúde, como a obesidade, problemas cardíacos e síndromes metabólicas em adolescentes. 

Outro ponto importante é a questão da alimentação de crianças com produtos ultraprocessados, dados do ministério da saúde apontam que cerca de 56% das crianças com até 23 meses de idade já consumiu alimentos ultraprocessados além do aleitamento materno, sendo que dentre este tipo de alimento, o mais ofertado para as crianças é a bolacha. 

Fatores sociais como nível de escolaridade e renda das famílias estão correlacionadas com o consumo dos ultraprocessados, uma vez que apresentam baixo custo e há falta de instrução acerca da importância da amamentação exclusiva e alimentação complementar adequada. 

Em estudo feito nos EUA, demonstrou-se que a alimentação composta por 81% de alimentos ultraprocessados ao longo de 14 dias resultou em um ganho de massa, em média de 1 kg. O contrário também foi demonstrado, pois o grupo que consumiu refeições compostas por 88% de alimentos in natura ou minimamente processados nas mesmas quantidades, apresentaram redução de peso semelhante ao primeiro grupo. 

Dessa forma, pode-se concluir que é imprescindível uma alimentação feita de forma mais consciente e cautelosa no que se refere ao consumo de alimentos ultraprocessados, dando preferência aos alimentos in natura e minimamente processados. Além de suscitar outros debates como a produção de publicidade destinada ao público infantil, que instiga o consumo deste tipo de produto por parte das crianças que durante a infância não apresentam maturidade intelectual acerca do discernimento entre alimentos mais e menos saudáveis. 

 

 

Referências 

 

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