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DCI

Vacina combate a toxoplasmose

Publicado em 29 novembro 2002

Por Fabiana Pio
Em breve, uma vacina inédita no mundo para combater a toxoplasmose estará disponível no mercado brasileiro. O produto está sendo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Energéticas (Ipen) e pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP). Já foram investidos R$ 300 mil em quatro anos e serão aplicados mais R$ 150 mil nos próximos dois anos para realização de testes em animais. Os recursos são provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq). A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, transmitido por felinos por meio das fezes, que contaminam água, alimentos e animais. Por meio da ingestão desses alimentos, o homem se contamina. Cerca de 60% da população adulta brasileira tem a doença, que pode causar lesões graves nos sistemas nervoso e ocular. Roberto Hiramoto, biólogo do Ipen, sob orientação do professor Heitor Andrade Júnior, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram um método que consiste em esterilizar o parasita por meio de radiação e introduzi-lo no organismo dos animais por meio de uma vacina. Com isso, o protozoário não conseguirá se reproduzir e depois de 48 horas e 72 horas morrerá. "Se os animais de produção e os gatos forem vacinados, será possível extinguir a doença em cinco anos no Brasil", diz o pesquisador. Isso porque o animal nunca mais terá a doença. Estará imune graças aos anticorpos produzidos e não irá mais transmiti-la a outros seres vivos. De acordo com Andrade, a Nova Zelândia desenvolveu uma vacina denominada toxovax, que atenua a infecção do animal em 70%, mas não evita a transmissão a outros seres vivos. A irradiação do parasita foi feita numa fonte de cobalto-60, no Centro de Tecnologia das Radiações no Ipen. O Ipen é o principal fabricante da America do Sul de medicamentos derivados de produtos radioativos (radiofármacos), utilizados, principalmente, para diagnóstico de doenças. O instituto atende cerca de 300 hospitais e clínicas no Brasil e América Latina. O instituto já utilizava a radiação para diminuir a toxicidade do veneno de obra na fabricação de soros antiofídicos. MAIS DE UM BILHÃO DE CONTAMINADOS NO MUNDO Estima-se que mais de um bilhão de pessoas no mundo tenham toxoplasmose. De acordo com Andrade, 100 mil pacientes em São Paulo têm problemas oculares causados pelo parasita. E cerca de 250 crianças por ano nascem contaminadas pela doença. Além disso, 20% dos pacientes com vírus HIV não conseguem controlar a infecção provocada pelo protozoário. A doença pode ser transmitida por dois modos: ingestão de comida contaminada por fezes de gatos ou ingestão de carne crua ou malcozida de animais que ingeriram as fezes dos gatos, direta ou indiretamente. Os gatos e demais felinos são hospedeiros definitivos e eliminam os oocistos com o parasita nas fezes. Apesar de o parasita não morrer com o cloro da água, a forma mais eficaz de prevenir a doença é lavar e cozer bem os alimentos.