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UFSCar desenvolve sensor de substâncias tóxicas e doenças

Publicado em 04 março 2013

Por Bete Cervi

SÃO CARLOS - Pesquisas realizadas no campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, atuam no desenvolvimento de dispositivos que identificam herbicidas e pesticidas que oferecem risco à saúde do homem e causam impactos ecológicos.

Coordenados pelo professor Fábio de Lima Leite, do Departamento de Química, Física e Matemática (DQFM), os estudos contam com a participação de alunos de graduação e pós-graduação e apresentam publicações em revistas internacionais.

Campus de Sorocaba

Os estudos realizados no campus Sorocaba contribuem para o desenvolvimento de ferramentas e processos capazes de detectar pequenas quantidades de herbicidas e pesticidas químicos de forma rápida e eficaz com a utilização de enzimas.

O professor Leite explica que a utilização de nanobiossensores é uma excelente alternativa na análise de substâncias, mesmo quando presentes em baixas concentrações. No último mês de dezembro, as pesquisas de iniciação científica da UFSCar foram premiadas na "II Conferência USP de Nanotecnologia", realizada no mês de dezembro na cidade paulista de Itirapina.

Os trabalhos "Nanobiossensores Enzimáticos com Base em Cantilévers Quimicamente Modificados como Útil Ferramenta para a Detecção de Herbicidas", escrito por Ariana de Souza Moraes, e "Desenvolvimento de Nanobiossensores para Aplicação Ambiental na Detecção de Pesticidas", de autoria de Bárbara Brito de Souza Pereira, foram contemplados com os prêmios de melhores pôsteres do evento.

Sob orientação do docente Fábio de Lima Leite, os trabalhos fazem parte do projeto de "Desenvolvimento de Cantilévers Inteligentes para Aplicações na Detecção de Herbicidas" e são desenvolvidos pelo grupo de Pesquisa em Nanoneurobiofísica (GNN), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

"Os trabalhos premiados vêm promovendo o desenvolvimento de novos nanodispositivos para utilização em sensores ambientais e estudos de doenças neurodegenerativas como a esclerose múltipla. A premiação representa uma radiografia das linhas de pesquisa de nosso grupo, prestando um reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido na UFSCar. A motivação dos alunos é peça fundamental para colocar em prática o processo de transpiração e inspiração que a ciência exige de um jovem cientista. Um aluno engajado com os objetivos alcança as respostas de forma mais eficiente", afirma o professor.

Nanobiossensores

O professor Leite explica que os nanobiossensores são desenvolvidos com a utilização de sondas, conhecidas como cantilévers, que são empregadas na Microscopia de Força Atômica (AFM). A obtenção de imagens por AFM é baseada nas forças de atração e repulsão que ocorrem entre a sonda e a amostra.

"Baseando-se nesse princípio, a sonda do AFM pode ser transformada em um poderoso nanosensor se a força de interação entre a sonda e a amostra for modulada. A força de interação observada, também chamada de força de adesão, pode ser cerca de até 200% maior quando se emprega o nanobiossensor, em relação à utilização da sonda não modificada, o que permite a detecção da amostra química", diz.

O professor Leite coordena o grupo de Pesquisa em Nanoneurobiofísica (GNN), com estudos em áreas fundamentais da ciência como a Física, a Biologia, além de conteúdos da Neurociência, a Nanociência e a Nanotecnologia. Além dos estudantes da UFSCar, o grupo de pesquisa também conta com a participação de graduandos de outras instituições em Biologia, Física, Farmácia, Medicina, Química, Engenharias e Tecnológicos.

"Nossos membros são fortemente encorajados a interagir com áreas multidisciplinares e de fronteira. Esse perfil permite interpretar resultados e tendências de problemas complexos com maior grau de sucesso. O perfil transdisciplinar e ousado do GNN permite criar equipe coesa, disciplinada, dinâmica e com novas perspectivas para o mercado de trabalho", aponta Leite.