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Soro antiveneno

Publicado em 06 julho 2010

A exemplo dos venenos das cobras, os das abelhas também fazem suas vítimas, sobretudo as alérgicas, que precisam de socorro rápido. Apenas à espera de um aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Butantan, ligado à USP, acaba de produzir em larga escala e pela primeira vez no mundo, um soro contra esse tipo de veneno. A intenção é distribuí-lo por hospitais da rede pública. Os 80 litros de soro começaram a ser produzidos em 2008 e o produto recebeu a patente este ano.

Aplicado via intravenosa, cerca de 20 mililitros (ml) de soro trazem ao corpo uma quantidade de anticorpos capaz de neutralizar 90% dos problemas causados pelas picadas de abelhas africanizadas, as mais comuns no Brasil. Quando um adulto é picado por mais de 200 insetos, o corpo recebe uma quantidade de veneno suficiente para causar lesões nos rins, fígado e coração, debilitando esses órgãos.

E a maioria das mortes acontece pela falência dos rins. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do governo federal contabilizou, em 2006, 3.500 acidentes com ferroadas de abelhas, com 17 mortes só no Estado de São Paulo.

Os pacientes que tenham sofrido envenenamento serão acompanhados pela Anvisa - o que deve acontecer em até seis meses -, e, caso a agência considere os efeitos do soro satisfatórios, ele poderá ser distribuído pelo Ministério da Saúde para os hospitais públicos de todo o País nas áreas onde houver mais relatos de acidentes. Por enquanto, o soro vai ficar disponível no Hospital Vital Brazil, da Fundação Butantan.

O produto foi desenvolvido durante o doutorado da bióloga Keity Souza, no Laboratório de Imunologia, do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

O investimento em pesquisa para desenvolver o soro foi cerca de R$ 3 milhões, fornecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O Instituto Butantan tentou produzir o soro há dez anos, mas a iniciativa foi abandonada porque os pesquisadores tinham dificuldades em ajustar a quantidade exata de veneno necessária para os testes in-vitro.

Na outra ponta da história

Se de um lado as abelhas podem causar alguns problemas, sobretudo em relação ao veneno, de outro o seu desaparecimento (ou diminuição da população) pode prejudicar a cultura de vários frutos no Brasil (como melão, manga, melancia e goiaba). Pelo menos é o que afirma a bióloga e pesquisadora da Embrapa Semiárido, Márcia Ribeiro.

Segundo ela, os Estados Unidos e o Canadá já estimam a perda de milhões de dólares na produção de frutos com o desaparecimento das abelhas. Márcia Ribeiro explica que, no Brasil, ainda não há estudos sobre esses prejuízos. "Mas já se sabe que o número de abelhas está diminuindo aqui também", disse. Ela explicou que em diversas culturas as abelhas são necessárias para que haja a polinização das flores e, consequentemente, a planta possa produzir frutos.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) lançou, em setembro do ano passado, um edital para a pesquisa da polinização em diversas culturas. Mas a pesquisadora salienta que essas pesquisas estão apenas começando.

Parte do problema para o desaparecimento das abelhas, alerta Márcia Ribeiro, é que elas são mortas por pessoas que colhem mel de colmeias naturais. "Elas vão até a vegetação nativa, extraem o mel dos ninhos sem nenhum cuidado e deixam as abelhas morrerem, causando um desequilíbrio no meio ambiente."

(Fonte: Agência USP/CarbonoBrasil/ Agência Brasil)