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Professores longe do conhecimento

Publicado em 19 novembro 2010

fonte: Agência Fapesp

Hoje as principais fontes de informação para professores do ensino básico que trabalham com educação ambiental são revistas e livros didáticos. Tanto que uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual Paulista (Unesp) aponta que o conhecimento produzido nas universidades não atinge diretamente esses profissionais.

O estudo avaliou as fontes de informação sobre educação ambiental dos professores de educação básica em 14 municípios de São Paulo que pertencem à bacia hidrográfica do médio Tietê, tendo como polo regional a cidade de Bauru.

De acordo com Marília Freitas de Campos Tozoni Reis, professora do Instituto de Biociências de Botucatu e docente credenciada na Pós-Graduação da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, o estudo procurou entender por que o conhecimento produzido nas universidades nessa área não atinge diretamente os profissionais na educação básica.

Em 2008, o estudo mapeou escolas e identificou 277 professores que trabalhavam com educação ambiental. A pesquisa apontou que a maioria deles busca informações em revistas (23%) e livros didáticos (16%), seguidos da internet (14%) e jornais (10%).

Aparecem em menor número materiais paradidáticos (6%), cursos, palestras e panfletos (4%), apostilas (4%), vídeos, filmes e músicas (4%), programas de televisão (3%), material acadêmico (3%) e projetos e práticas educativas (2%), entre outros.

Entre as revistas mais citadas, estão as de grandes publicações. "O que nos chamou a atenção é que são revistas de grande circulação nacional, nas quais muitas matérias simplificam as questões teóricas e pedagógicas", afirmou Marília.

"Com relação ao resultado para a internet, o que nos preocupa é que os professores não mencionaram nenhum procedimento de busca mais sistematizado. É invariavelmente algo muito genérico e sem critério de seleção", disse.

Marília coordenou a pesquisa "Fontes de informação dos professores da educação básica: subsídios para a divulgação dos conhecimentos acadêmicos e científicos sobre educação ambiental" com apoio da Fapesp na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular, desenvolvida no Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental (GPEA), que atua junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Unesp-Bauru.

Os pesquisadores do GPEA pretendem elaborar uma cartilha de educação ambiental para professores das séries iniciais do ensino fundamental para ser distribuída em todo o Estado de São Paulo. "Nosso objetivo é orientar o professor para a inserção da educação ambiental de 1ª a 5ª série. Mas não queremos fazer apenas uma distribuição da cartilha pelo correio. A ideia é que os membros do grupo realizem minicursos com os professores em cada escola visitada", disse.