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O Povo

Preferência pelo açúcar

Publicado em 06 abril 2008

Para responder como o cérebro e o comportamento respondem à situação de insumo de calorias sem estímulo gustativo, os cientistas recorreram a camundongos transgênicos incapacitados de detectar sabores doces. "Esses camundongos eram desprovidos do gene que expressa a proteína codificante de um canal iônico presente nas células gustativas da língua. A presença desses canais iônicos é fundamental para a capacidade de os receptores gustativos transmitirem informação sobre os sabores doces para o cérebro", explicou o pesquisador Ivan de Araújo.

Os camundongos puderam escolher entre beber água ou uma solução de água com sacarose. Enquanto os animais normais apresentavam preferência pela água com sacarose, os geneticamente modificados se mostraram indiferentes. Em seguida, os pesquisadores associaram um dos lados de uma caixa comportamental à presença ou ausência da solução de sacarose. Em um dia a solução era colocada no lado direito e o esquerdo permanecia vazio. No outro dia, água pura era colocada no lado esquerdo e o direito permanecia vazio. E assim por diante.

"Ao longo do tempo, os animais desenvolveram forte preferência pelo lado da caixa que fora associado à sacarose. Apesar de não detectarem o doce, eles lentamente começaram a mudar seu padrão de preferência em favor do lado que tinha a solução doce", disse. Segundo o cientista, isso mostra, em nível comportamental, que o animal desenvolve preferência clara pela caloria mesmo na ausência de qualquer prazer específico ligado ao paladar.

"Depois fizemos o mesmo experimento substituindo a água com sacarose por uma solução de água com sucarose - um adoçante artificial utilizado no mercado. O animal normal gostava muito desse adoçante, mas os animais mutantes não mostravam preferência nenhuma quando não havia conteúdo calórico", disse.

(Agência Fapesp).