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O Dia (PI)

Museu da Natureza

Publicado em 19 dezembro 2018

O Piauí ganha mais um espaço para a conservação da história e discussões a cerca do futuro. A região do Parque Nacional da Serra da Capivara recebe o Museu da Natureza, que será aberto a visitação a partir de hoje (19). O projeto é da Fundação Museu do Homem Americano - Fumdham, que também administra o parque.

O Museu da Natureza é um prédio em formato circular, desenhado pela arquiteta Elizabete Buco, que passa a ocupar um espaço de 1.700 metros quadrados. O investimento na obra foi de R$ 13,7 milhões, segundo Rosa Trakalo, uma das coordenadoras do projeto.

A expectativa é que o museu atraia mais visitantes à região no próximo ano. Segundo dados do próprio parque, o Parque Nacional da Serra da Capivara recebe, anualmente, uma média de 20 mil visitantes. "É um polo turístico único, que une história e natureza", afirma Trakalo.

Com a ajuda de fósseis e simuladores de realidade virtual, o Museu da Natureza irá mostrar, em 12 salas, a história da formação geológica dessa área, com chapadas e sítios arqueológicos. A exposição busca também explicar as mudanças climáticas que afetaram o planeta ao longo do tempo, diz o curador do museu, Marcello Dantas. "A história recente indica que o homem é o agente principal dessas mudanças. O que virá disso ainda não se sabe", afirma.

O Museu da Natureza está localizado nas redondezas do parque nacional, em Coronel José Dias. O espaço será administrado pela Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), em parceria com o Instituto Chico Mendes (ICMBio) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A fundação também gere o Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, que divulga as descobertas arqueológicas feitas na região.

Aberto nesta quarta-feira, o museu funcionará de quarta a segunda, das 13h às 19h, com entrada inteira a R$ 30. Mais informações no site da fundação (fumdham.org.br).

Novos rumos

O Museu da Natureza deve ser o último legado da pesquisadora francesa Niède Guidon para o Parque Nacional da Serra da Capivara, onde trabalho por duas décadas. Em entrevista à Revista Pesquisa FAPESP ela comenta que irá deixar o comando da Fundação Museu do Homem Americano e, com isso, voltar para a França.

“Depois da inauguração do museu, saio. Vou voltar para a França, mas não sei para onde. Gosto de cidades pequenas, bonitas. Tenho direito de descansar. Vou reclamar meu direito de não fazer nada. Comecei a trabalhar com 18 anos”, comenta Niède à publicação. Ela acrescenta ainda que, a princípio, a bióloga Marcia Chame, da Fiocruz do Rio de Janeiro, foi indicada para lhe substituir, passando a ser diretora-presidente.

Para a Revista Pesquisa FAPESP, Niède Guidon explicou que o projeto do Museu da Natureza surgiu de uma necessidade. “Quando fizemos o Museu do Homem Americano, havia também uma parte dedicada aos fósseis, aos levantamentos geológicos e à natureza da região. Mas a coleção humana cresceu tanto que tivemos que retirar a parte da natureza. Como não tínhamos onde mostrar esses fósseis, inclusive marinhos, de quando aqui era mar, fizemos o projeto do Museu da Natureza. Isso foi mais ou menos entre 2002 e 2003”.