Notícia

Bem Paraná online

Mais velho que o sol

Publicado em 04 dezembro 2006

Por Agência FAPESP

Quando o metorito do Lago Tagish caiu ao norte da Colúmbia Britânica, no Canadá, em 2000, trouxe com ele um tesouro científico: fragmentos carbonáceos prontos para serem estudados.
As amostras contêm minúsculas esferas ocas cobertas por uma capa rica em carbono. Um grupo de pesquisadores, liderado por Keiko Nakamura-Messenger, do Centro Espacial Johnson, da Nasa, agência espacial norte-americana, mediu as proporções encontradas entre os isótopos nitrogênio-15 e nitrogênio-14 e entre deutério e hidrogênio.
O resultado foi que os valores encontrados nas esferas eram muitas vezes maiores do que no restante do meteorito. Segundo os pesquisadores, as proporções dos isótopos indicam que as esferas foram formadas em regiões com temperaturas extremamente baixas, entre -263ºC e -253ºC. Tais temperaturas são características de nuvens moleculares frias.
Os autores do estudo, publicado na edição de 1º de dezembro da revista Science, sugerem que o meteorito teria sido originado nas regiões além da Faixa de Kuiper — região do Sistema Solar além da órbita de Netuno — ou em uma nuvem molecular surgida antes do Sol e de seu sistema planetário.
"Essas anomalias isotópicas são indicativas do fracionamento de massa durante reações químicas em temperaturas extremamente baixas (de 10 a 20 kelvin), características de nuvens moleculares frias e do disco exterior protosolar", escreveram no artigo.
O artigo Organic globules in the Tagish Lake meteorite: Remnants of the protosolar disk, de K. Nakamura-Messenger e outros, pode ser lido por assinantes da Science em
www.sciencemag.org.