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O Povo

LHC volta a funcionar

Publicado em 06 dezembro 2009

O maior experimento científico do mundo está de volta. Após uma pausa forçada de mais de um ano, o LHC (Large Hadron Collider, ou "grande colisor de hádrons"), maior acelerador de partículas do mundo, foi religado. Na noite do último dia 20, os cientistas envolvidos no projeto injetaram feixes de prótons nos dois sentidos do túnel circular de 27 quilômetros do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), instalado próximo a Genebra, na fronteira entre França e Suíça.

"Foi um momento muito emocionante que estávamos aguardando com grande expectativa", disse Marco Aurelio Lisboa Leite, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). O cientista é responsável pela colaboração dos pesquisadores da USP no Atlas (A Toroidal LHC Apparatus), um dos principais experimentos do LHC. "O LHC é uma máquina muito melhor compreendida hoje do que há um ano. Aprendemos a partir de nossa experiência e do desenvolvimento da tecnologia que permite que continuemos a caminhar. É assim que o progresso é feito", disse Steve Myers, diretor de aceleradores do Cern.

Os feixes de partículas deram duas voltas no túnel em eventos chamados de "beam splash". No teste, os feixes foram lançados contra um "colimador", resultando em um grande número de partículas secundárias capazes de serem detectadas. "É muito bom ver partículas novamente circulando pelo LHC. Ainda temos muito a fazer antes que a física possa começar, mas essa conquista mostra que estamos no caminho certo", disse Rolf Heuer, diretor-geral do Cern.

A partir da colisão de partículas, além de liberar uma enorme quantidade de energia, resultará na produção de grande quantidade de dados que poderão ajudar o homem a compreender a estrutura fundamental da matéria. Na semana passada, cientistas afirmaram que o colisor de partículas estabeleceu um novo recorde para aceleração de prótons, enviando feixes de partículas a 1,18 trilhão de elétrons volt (TeV). Um comunicado doi Cern informou que o Grande Colisor de Hádrons superou a marca anterior, de quase 1 TeV, do Fermilab, que fica próximo a Chicago, nos Estados Unidos. esses resultados são parte da preparação para experimentos mais significativos, que devem começar apenas m 2010, sobre o surgimento da matéria e do universo.

Após quase duas décadas de planejamento, o LHC foi ligado pela primeira vez em 10 de setembro de 2008, mas um grave problema em uma conexão elétrica levou a uma ruptura dez dias depois, em acidente que resultou na pausa de 14 meses. A causa da parada foi um vazamento do gás hélio, na sua forma líquida, entre dois setores da máquina - o setor 3 e o 4. André Rabello dos Anjos, doutor em Engenharia Eletrônica e um dos pesquisadores brasileiros atuando no LHC, explica que esse vazamento de gás foi possivelmente provocado por uma pane elétrica nos circuitos que controlam os ímãs supercondutores existentes nesta região do LHC. "Esses ímãs funcionam a uma temperatura de aproximadamente -271 graus Celsius (2 graus Kevin)", completa ele.

(com Agência Fapesp)

Serviço

Mais informações: http://public.web.cern.ch/public.

E-MAIS

> O LHC, ou Large Hadron Collider, é o maior laboratório de pesquisa científica do mundo. Participam do projeto milhares de físicos do mundo inteiro.

> É um sistema acelerador de partículas eletricamente carregadas numa trajetória quase circular, que apresenta oito setores especialmente preparados para gerar e controlar colisões entre elas. Nesses setores, há enormes detectores capazes de armazenar os eventos decorrentes das colisões assim como sistemas de processamento de altíssima performance.

> O túnel do projeto e as instalações foram aproveitadas de um projeto anterior, o LEP, desativado em 2000.

> Dentro do túnel, trilhões de prótons serão acelerados em uma velocidade 99% maior do que a velocidade da luz. Uma metade de prótons em cada direção. Depois, serão conduzidos a colidir frontalmente. Uma batida semelhante é quantitativamente tão improvável quanto conseguir uma colisão frontal entre duas agulhas que foram disparadas estando a 10 quilômetros de distância entre si. Mesmo assim, o LHC é capaz de gerar milhões desses eventos por segundo.