Notícia

Jornal do Commercio (PE)

Índice ambiental é proposta

Publicado em 09 março 2012

Por Verônica Falcão

SÃO PAULO - Cientistas propuseram, ontem, em encontro na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a adoção de um índice de sustentabilidade por empresas e governo. O novo indicador avaliaria o consumo de energia, de água, emissão de gases do efeito estufa, descarte de dejetos e cobertura vegetal, por produto e também por habitante.

"Temos índices para medir bem-estar social, que é o IDH, e para medir crescimento econômico, que é o PIB, mas falta um que avalie o desempenho na área ambiental", justifica o economista José Eli da Veiga, professor do Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).

O idealizador do índice, o agrônomo Jacques Marcovitch, adianta que o gás a ter a emissão quantificada seria inicialmente o CO2, o mais abundante entres os resultantes da queima de combustíveis fósseis.

Em relação à cobertura vegetal, o índice incluiria a ampliação das florestas. "E não o que é mantido ou preservado", detalha Marcovitch, professor da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (Fea-USP).

Nos índices de desempenho ambiental apresentados até agora não são utilizados os mesmos indicadores, destaca Marcovitch. "Cada empresa escolhe os parâmetros que deseja, normalmente o que considera que se sai melhor. Isso não confere homogeneidade ao resultado", critica.

Marcovitch sugere que o novo índice substitua os atuais relatórios socioambientais das empresas. "No lugar de separar os relatórios de desenvolvimento social e meio ambiente, o setor produtivo pode incorporar o índice de desempenho ambiental", sugere.

O economista lembra que alguns relatórios socioambientais incluem doações a organizações não governamentais. "Citar os recursos repassados às ONGs não é suficiente. É preciso comprovar em que ações esse dinheiro foi aplicado e se essas medidas foram eficientes", considera.

Para o professor José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, falta no índice proposto por Marcovitch um parâmetro relativo à biodiversidade, uma vez que a extinção de espécies é uma das questões centrais, ao lado das mudanças climáticas, das discussões sobre meio ambiente.

Na opinião de Jacques Marcovitch, o parâmetro relativo à cobertura vegetal contempla a diversidade biológica. "Florestas nativas conservadas são garantia da manutenção da variedade de espécies, tanto de plantas quanto de animais."

AVIAÇÃO

O professor da Fea-USP considera a distância entre a retórica e a prática do setor privado um dos entraves para a efetivação de ações na área ambiental. Ele cita a cobrança pela emissão de gases do efeito estufa pelas empresas de aviação como um dos exemplos.

"De 3% a 5%, um percentual considerável diante da gravidade do aquecimento global, das emissões globais de gases do efeito estufa têm origem na aviação. A Europa estipulou limites para cada companhia e multas para as que excederem as emissões, a partir deste ano. Mas o Brics (bloco de países emergentes que inclui o Brasil), em fevereiro se posicionou contra a decisão", menciona.

No Brasil, afirma, o cenário se repete. "Publicamente, todos são a favor do meio ambiente. Mas, quando alguma medida na área ambiental afeta o setor privado, as empresas contratam advogados ou fazem lóbi para derrubá-la."

A repórter viajou a convite da Fapesp