Notícia

O Povo

Fauna desconhecida

Publicado em 25 fevereiro 2006

Problemas também em relação ao conhecimento das espécies animais

- Mesmo os cientistas mais conservadores concordam que o mundo está assistindo, por causa do homem, a uma incrível crise de perda de biodiversidade. Paralelamente ao processo de destruição ambiental, há outro problema: o Brasil conhece apenas 6,67% de todas as suas espécies animais.
- Existem hoje, em todo o território nacional, apenas 542 pesquisadores que se autodenominam sistematas dentro da zoologia. São essas pessoas que têm o papel de estudar os grupos animais e definir em qual parte da árvore evolutiva eles devem ser colocados. Ou seja, os recursos humanos são absolutamente ínfimos diante da quantidade de grupos ainda desconhecidos.
- Um dos grupos no conjunto dos quase desconhecidos é o dos nematóides (vermes) marinhos, explica o pesquisador. Estima-se que, apenas no Brasil, existam 1,5 milhão de espécies desse grupo.
- "O estudo Sistemática zoológica no Brasil: Estado da arte", de Antônio Carlos Marques,
pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), e Carlos Lamas, do Museu de Zoologia da USP, mostra que os 542 pesquisadores que se autodenominam taxonomistas ou sistematas, 86 são doutores ainda sem vínculo empregatício e outros 39 estão aposentados. Dois outros estão em grupos com nenhum ou apenas um único doutor. A idade média está entre 45 e 50 anos.
- Do lado dos grupos bem conhecidos aparecem os peixes (com 53 cientistas voltados exclusivamente para esse grupo), os crustáceos (39) e os dípteros (28).
- Para que o quadro do desconhecimento seja alterado, Marques e Lamas propõem uma série de ações e metas. Para os próximos três anos, por exemplo, seria ideal que o Brasil formasse pelo menos cem sistematas e que fossem instalados 30 novos docentes em áreas da sistemática nas quais o País é carente.
- Para 2016, o ideal é que o País tenha 300 novos sistematas, segundo os autores do estudo. Outro ponto importante para estimular a produção científica e a divulgação desses conhecimentos seria a criação de novas revistas científicas. O ideal seria que o Brasil tivesse 10 periódicos da área zoológica indexados nas principais bases internacionais.
Agência FAPESP