Notícia

Envolverde

FAPESP tem programas avaliados

Publicado em 24 junho 2010

Por Fábio de Castro, da Agência Fapesp

Com um painel que reuniu especialistas em metodologias de avaliação de programas de fomento à pesquisa, a FAPESP conclui nesta quinta-feira (24/6) a primeira etapa de um projeto que permitirá, com critérios científicos, medir os impactos de alguns dos principais programas da Fundação. Iniciado em janeiro, o projeto "Avaliação de Programas da FAPESP - desenvolvimento e aplicação de métodos de avaliação de impactos e de requisitos para avaliações sistemáticas" tem sua conclusão prevista para o fim de 2011.

A primeira etapa consistiu na definição de indicadores e métricas para a avaliação do programa de Bolsas da FAPESP, de Equipamentos Multiusuários (EMU) e Biota-FAPESP. O projeto, financiado pela FAPESP, é realizado pelo Grupo de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi), do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências (IG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De acordo com o coordenador do projeto, Sergio Salles-Filho, professor do IG-Unicamp e fundador do Geopi, ao fim do processo a FAPESP terá pela primeira vez à sua disposição critérios científicos para avaliar os impactos de seus programas na sociedade.

Segundo ele, o objetivo é que as avaliações possam ser consistentes e rigorosas a ponto de orientar as políticas da FAPESP. "A Fundação, que coloca muitos recursos em bolsas, equipamentos e no programa Biota, tem uma boa noção do impacto desse investimento na sociedade. Mas até agora não foi feito um estudo com metodologia científica que fornecesse a capacidade de apontar com precisão qual o impacto dessas atividades na sociedade. Essas informações serão valiosas para que a FAPESP possa avaliar sistematicamente seu planejamento", disse Salles-Filho à Agência FAPESP.

A partir de 2004, a FAPESP analisou e mapeou o parque de equipamentos financiado pela Fundação e, em 2008, concluiu uma avaliação do programa de bolsas, analisando a trajetória profissional de seus ex-bolsistas. Os dois estudos foram divulgados, respectivamente, nas publicações Parque de Equipamentos de Pesquisa e Perfil e trajetória acadêmico-profissional de bolsistas da FAPESP. "O objetivo agora é um pouco diferente da avaliação de resultados. Na avaliação de impacto, estamos interessados nos efeitos que os resultados das pesquisas tiveram na sociedade sob vários pontos de vista, como ambiental, social e econômico", disse.

Para avaliar o impacto social do programa de bolsas - de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e Doutorado Direto -, o projeto pretende comparar a trajetória de seus beneficiários com a dos estudantes que apresentaram projetos, mas não receberam bolsas. "Com isso, pretendemos observar que efeitos o usufruto da bolsa proporcionou à sociedade", explicou. O mesmo será feito para os programas EMU e Biota-FAPESP: o grupo de controle será formado pelos pesquisadores que tiveram propostas denegadas.

O desempenho desses pesquisadores, sob diversos critérios, será comparado ao dos colegas que obtiveram recursos do programa. "O Biota-FAPESP é um programa muito bem organizado, que tem uma coordenação própria e tem avaliações externas sendo feitas. Mas nosso projeto avaliará o impacto dos resultados sobre a sociedade. Sabemos que esse impacto inclui decretos e leis para proteção ambiental, por exemplo, além de produtos da flora e da fauna que se transformaram em cosméticos e fármacos. É isso que vamos avaliar detalhadamente", disse.

Outros programas

O projeto, segundo Salles-Filho, está dividido em quatro etapas: preparação e planejamento de indicadores; montagem dos questionários; busca e análise dos dados; e divulgação dos resultados. "A primeira fase será concluída nesta semana. A elaboração dos questionários será uma etapa muito trabalhosa. Quando estiver concluída, os questionários serão disponibilizados na internet. Em seguida, vamos recolher os dados, analisá-los e fazer a divulgação final", disse.

A primeira etapa consiste na definição de indicadores e métricas, ou seja, o que deverá ser avaliado nos três programas. "Se fizermos isso só dentro da equipe que está tocando o projeto, teremos certamente uma visão limitada. Então, convocamos mais gente que trabalha com o tema para ajudar a definir os assuntos a serem avaliados. Com isso, teremos uma validação dos critérios e daremos mais robustez ao projeto", explicou. Um dos principais resultados do painel, segundo Salles-Filho, foi a conclusão de que o questionário precisará ser construído com quatro características principais: as perguntas precisam ser pertinentes, não redundantes, inequívocas e apresentadas em uma interface amigável.

O projeto tem um segundo eixo, que começará a ser discutido a partir do segundo semestre de 2011 e tratará de outros quatro programas que foram objeto de avaliação há dois anos: Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), Pesquisa em Políticas Públicas e Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes. "Nesse eixo, indicadores de impacto desses quatro programas serão inseridos no sistema da FAPESP, de modo que a Fundação passe a ter on-line alguns indicadores de impacto, de modo a possibilitar uma avaliação continuada em tempo real. A partir do segundo semestre os dois eixos do projeto serão desenvolvidos paralelamente", disse Salles-Filho.