Notícia

Época

Elogios e mais verbas

Publicado em 30 abril 2001

Por Geraldo Mayrink
A ciência brasileira teve na semana passada duplo motivo para comemorações. Na terça-feira, o jornal THE NEW YORK TIMES publicou uma reportagem sobre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Paulo (Fapesp) para noticiar o que chamou de "uma reviravolta incomum". O departamento de agricultura dos Estados Unidos contratou a fundação brasileira para identificar a seqüência de genes de uma bactéria que ataca os vinhedos da Califórnia. Por coincidência, no dia seguinte o presidente Fernando Henrique anunciou o apoio aos governos estaduais para a criação de sete redes de pesquisa genética, campo em que a Fapesp investe pesadamente desde 1998. Elas receberão R$ 26 milhões, beneficiando laboratórios de 48 instituições e cerca de 240 cientistas em trabalhos de saúde pública, agricultura e seqüenciamento genético de microrganismos. "O que eles estão fazendo na Fapesp é ciência da mais alta qualidade", disse ao jornal americano a bióloga Claire Fraser, do Instituto de Pesquisas Genômicas de Rockville, nos Estados Unidos. Dois anos antes, Daniel H. Newlon, diretor da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos, já havia percebido isso. "Nenhuma agência de fomento à pesquisa trabalha melhor que a Fapesp", afirmou. "Estamos vinculados a uma filosofia: a avaliação pelos méritos", diz o diretor científico da Fapesp, o físico José Fernando Perez. Fundada em 1962, a instituição aplica o que a lei estadual lhe dá -1% da receita do ICMS do Estado. Cerca de R$ 270 milhões em 2001. A verba irriga uma quantidade e uma diversidade notáveis de projetos. Eles incluem, entre dezenas de iniciativas, financiamento para o estudo e a fabricação de motores que não poluem e de aparelhos para o controle cardíaco. Os cientistas entraram na constelação de estrelas da ciência mundial com a decifração, no ano passado, do código genético da Xylella fastidiosa, bactéria causadora do amarelinho, praga que atinge 34% dos laranjais paulistas. O projeto custou US$ 13 milhões. Uma fortuna? A imprensa mundial achou até pouco: essa quantia é o que a bactéria pode destruir em 47 dias numa grande plantação de laranjas. A fila de aspirantes ao apoio da Fapesp é grande. Ao contrário do que se pensa, ela não está aberta apenas a luminares das universidades. Qualquer pesquisador pode apresentar projetos, e não se exigem títulos acadêmicos. "Não há mais demanda científica reprimida. Estamos conseguindo atender a todos", diz Perez. Tem dado certo.