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Eficácia em risco

Publicado em 30 outubro 2006

Por Washington Castilhos, Agência FAPESP

No Brasil, dos vírus causadores da Aids, o HIV-1 é o tipo predominante. Nele, embora a taxa de predominância do subtipo B seja de 80%, no Sul do país o subtipo C assemelhou-se ao B em ocorrência nos últimos anos, com 35%.
"Essa é uma ameaça à eficácia dos medicamentos anti-retrovirais, pois a combinação de um subtipo com outro é uma das causas da resistência do HIV a medicamentos", disse o pesquisador José Carlos Fernandez, do Departamento de Imunologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), no 3º Simpósio de Resistência a Antimicrobianos, realizado na semana passada no Rio de Janeiro.
Fernandez citou como exemplo o CRF02, forma recombinante do vírus, resultado da combinação dos subtipos A e G. "O CRF02 já é resistente aos inibidores de transcriptase reversa, uma das classes de anti-retrovirais. Isso reforça a importância de conter a transmissão de vírus resistentes", disse.
Os inibidores da enzima transcriptase reversa, de que o HIV necessita para fazer cópias dele mesmo, são um tipo de anti-retroviral que bloqueia a replicação do vírus ao interferir na ação da enzima.
Segundo o pesquisador, o trabalho de genotipagem é essencial, uma vez que por meio dele pode-se identificar as mutações e seu provável efeito sobre a droga. "Dessa maneira, detectamos que droga será eficaz no tratamento. Com isso, podemos sinalizar outra opção de terapia a um indivíduo que tenha resistência a um determinado tipo de medicamento", explicou.
Fernandez citou o escape viral, a capacidade de mutação do HIV, como a grande barreira aos 100% de eficácia dos anti-retrovirais. "Isso não contribui apenas para a resistência do vírus aos anti-retrovirais, mas também para a dificuldade em desenvolver uma vacina", disse.
Outro fator para a resistência viral aos medicamentos seria a inadequação da terapia por parte dos usuários. Fernandez lembrou ainda que testes de genotipagem já são oferecidos pelo governo federal no tratamento de soropositivos, juntamente com os de carga viral e de contagem do linfócito CD4, que indica o estado do sistema imunológico.