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O Povo

Ecos do famoso eclipse

Publicado em 26 agosto 2019

Car@s amig@s leitores da coluna Visões do Cosmos, já comentamos aqui algumas vezes que neste ano comemoramos os 100 anos da comprovação da Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein.

As comemorações continuam por todo o ano de 2019. Semana passada, por ocasião da 13ª edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará, foram feitas exposições de Astronomia (Planetário Rubens de Azevedo), palestras e debates alusivos ao famoso eclipse e ao seu centenário.

Esse fato científico, da mais alta importância para a ciência, ocorreu durante as observações do Eclipse Total do Sol em 29 de maio de 1919 na cidade de Sobral. Até essa data, Einstein não era um cientista famoso, era um físico que havia desenvolvido uma teoria e conhecido por alguns matemáticos e físicos teóricos de algumas academias de ciências e universidades da Europa no início do século XX. Após sua teoria ser comprovada através das observações do famoso Eclipse Total do Sol, Einstein passou a ser o mais famoso dos cientistas.

Na publicação Pesquisa da Fapesp, o astrofísico brasileiro professor doutor Augusto Damineli escreveu:

"...Na reunião da Royal Astronomical Society de 6 de novembro de 1919 (Londres), o Joint Eclipse Meeting tornou públicos os resultados do eclipse solar de 29 de maio de 1919. A deflexão (encurvamento) da trajetória da luz de uma estrela passando rasante no bordo solar foi de 1.80 ± 0.23 segundo de arco, em excelente acordo com os 1.75 segundo de arco previsto pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein. O valor deduzido a partir da teoria da Gravitação Universal de Newton era de 0.78 segundo (supondo que a luz fosse composta por partículas). Essa diferença numérica parece minúscula, mas corresponde a diferentes esquemas conceituais da gravitação, de modo que uma delas devia ser descartada. O matemático britânico Alfred Whitehead descreveu a cena dramática, na sala encabeçada pelo retrato de Sir Isaac Newton, numa atmosfera de pompa e tradição.

O mais famoso cientista da história, cuja teoria havia reinado absoluta por mais de 200 anos, era destronado. Em seu lugar subia um cidadão de um país inimigo (Alemanha), contra o qual os ingleses acabavam de ter uma guerra sangrenta de quatro anos, a Primeira Guerra Mundial, que deixara milhões de mortos. No dia seguinte, o Times, mais influente jornal da época (também inglês), espalhava o feito por todo o planeta.

Existe um fato curioso sobre esse evento: as melhores provas do 'efeito Einstein´ (como era chamada a deflexão da luz pela gravidade) foram obtidas no Brasil, em Sobral, mas isso foi esquecido pela maioria dos autores atuais, que só associam o feito às ilhas Príncipe, no Golfo da Guiné, perto da costa ocidental africana. O próprio Einstein, em passagem pelo Rio de Janeiro, teria reconhecido: 'O problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil´. A falha de reconhecimento à importância de Sobral precisa ser corrigida, não só porque a demonstração da deflexão aconteceu aqui, mas porque o sucesso da missão inglesa que comprovou a teoria de Einstein se deveu, em parte, ao apoio logístico e levantamentos climáticos feitos por Henrique Morize, então diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro."

A comissão inglesa, encarregada da verificação do "efeito Einstein", foi chefiada pelo Dr. C. D. Cramelin acompanhado do Dr. C. Davidson. A comissão brasileira foi chefiada pelo Dr. Henrique Morize, que trouxe os astrônomos Domingos Costa, Lélio Gama, Teófilo Lee, Luís Rodrigues e Arílio de Matos.

Outras expedições para observação de eclipses do Sol com o objetivo de comprovar a teoria de Einstein foram realizadas, porém frustradas. Mas, em 1919 o luminoso céu de Sobral permitiu e foram feitas excelentes observações.