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Diálogos internacionais

Publicado em 02 dezembro 2010

Por Fábio de Castro, Agência Fapesp

Em São Carlos (SP), 100 estudantes brasileiros e estrangeiros puderam interagir intensamente, em novembro, com vários dos principais especialistas do mundo nas áreas de spintrônica e computação quântica - que envolvem questões como o aumento do poder de processamento e a miniaturização dos componentes computacionais.

A São Paulo Advanced School in Spintronics and Quantum Computation foi organizada pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O evento foi realizado no âmbito da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio lançada pela FAPESP em 2009.

Por sua importância global - ao tratar de importantes questões na fronteira do conhecimento na física, abrindo caminho, ao mesmo tempo, a grandes avanços tecnológicos - essas áreas emergentes representam uma chance promissora para a internacionalização da pesquisa brasileira, de acordo com o coordenador do evento, José Carlos Egues, professor do Departamento de Física e Informática do IFSC-USP.

Além de oferecer aos estudantes brasileiros a chance de dialogar com pesquisadores renomados, o evento também cumpriu o papel de apresentar aos estudantes e cientistas estrangeiros o trabalho desenvolvido no Brasil na área.

"Internacionalizar a pesquisa no Brasil não se resume a enviar cientistas para participar de conferências no exterior. É um processo que também envolve o caminho contrário: trazer cérebros de fora para trabalhar e interagir com as nossas instituições. Para isso, precisamos mostrar as áreas nas quais temos alto nível de excelência. O evento procurou cumprir esse papel", disse Egues à Agência FAPESP.

A spintrônica nasceu em 1988, com a descoberta da tecnologia conhecida como magnetorresistência gigante (GMR, na sigla em inglês) - que foi responsável pela existência dos atuais discos rígidos de alta densidade e rendeu o prêmio Nobel de Física de 2007 ao francês Albert Fert e ao alemão Peter Grünberg. A presença de Grünberg foi um dos principais destaques da ESPCA.

Segundo Egues, uma avaliação realizada no fim do evento, a pedido da FAPESP, comprovou o que já era visível entre os participantes: a Escola cumpriu seus objetivos principais.

"Foi um grande sucesso. O que já era de se esperar, pois tivemos um time de palestrantes de excelente nível e houve uma participação muito intensa, com perguntas e discussões aprofundadas. Tudo foi registrado e ficará disponível em DVD em breve", afirmou.

Além das conferências científicas, de acordo com Egues, a programação do evento incluiu uma palestra sobre as modalidades de apoio à pesquisa da FAPESP, apresentada por Osvaldo Novais de Oliveira Jr., da coordenação da área de Física da Fundação.

"A palestra foi voltada especialmente aos alunos estrangeiros, que demonstraram um grande interesse, com muitas perguntas. Um dos objetivos da ESPCA consistiu em atrair talentos do exterior, mostrando nossa capacidade de pesquisa no Estado de São Paulo. De imediato, já temos um candidato a pós-doutorado, que deverá submeter um projeto para trabalhar conosco", disse Egues.

A ESPCA contou com outro evento paralelo, o workshop Meet the editors, que teve a participação dos editores Peter Adams, da Physical Review B, e Daniel Ucko, da Physical Review Letters. O objetivo foi orientar os participantes a lidar com o processo de publicação científica.

"Esse encontro foi fantástico e o registro integral está no site do evento. Foi importante para desmistificar o processo editorial. Muitos pesquisadores fazem bons trabalhos, mas não sabem escrever de forma apropriada. Aprimorar esse aspecto é importante para que a pesquisa brasileira seja publicada em revistas de alto impacto. Por outro lado, foi importante que os editores tenham nos visitado e se impressionado com a ótima infraestrutura que possuímos", disse.

Além de Egues, participaram do comitê organizador do evento os professores Guilherme Sipahi e Esmerindo Bernardes, também do IFSC-USP, e Adilson Aparecido de Oliveira e Yara Gobato, da UFSCar. Além dos docentes, o comitê foi formado pelos estudantes Gerson Ferreira e Poliana Penteado, do IFSC-USP, e Beat Röthlisberger, da Universidade de Basileia (Suíça).

(Envolverde/Agência Fapesp)