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Publicado em 01 julho 2019

Por Maíra Mathias e Raquel Torres

O Brasil vai ter um novo centro dedicado a pesquisas de arbovírus, aqueles transmitidos por insetos. Chama-se CADDE, é financiado pela Fapesp e coordenado por Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da USP. Vai reunir pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. Um deles é Nuno Faria, da Universidade de Oxford, que listou os principais focos de investigação.

O pico de casos de dengue em 2019 será explicado. Já se tem duas hipóteses: dados preliminares confirmam que houve uma nova linhagem da dengue tipo 2 vinda do Caribe. Ela teria chegado ao Brasil e encontrado uma grande população suscetível. Outra explicação tem a ver com a zica. Pessoas infectadas por esse vírus teriam desenvolvido pré-disposição para quadros mais severos da dengue.

Além disso, os pesquisadores pretendem antecipar o surgimento da próxima linhagem de vírus da febre amarela. Isso porque, de acordo com Faria, entre um surto e outro, existe uma janela, que pode variar entre sete e 14 anos, entre o surgimento da linhagem na Amazônia e sua ‘viagem’ para o resto do país. No caso de São Paulo, espera-se que o próximo surto aconteça em 2024. Como a tendência tem sido baixa adesão à campanha de imunização, a meta será identificar a população sob risco e vaciná-la, impedindo, assim, que se repita o boom de casos de 2016-2017.

A confirmação pela UFRJ de três casos de infecção pelo vírus mayaro em Niterói (RJ) acendeu o alerta dos cientistas. Prima da chicungunha, a arbovirose pode estar sendo subnotificada, já que não existem ainda protocolos clínicos nem métodos para fazer o rastreio. Existem sugestões de que o mayaro pode causar o próximo surto.