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Olhar Direto

Conviver com animais é um bom remédio

Publicado em 13 abril 2006

Que os animais fazem bem ao ser humano, todo mundo sabe. Mas aquilo que por muito tempo foi tratado como costume, hábito apenas, agora é objeto de pesquisa científica e tem dado grandes contribuições para a saúde humana. Trata-se da Terapia Assistida com Animais (TAA), que ganha cada vez mais adeptos no Brasil.
A zooterapia, como também é chamada a TAA, será tema de um dos mini-cursos do XXXIII Conbravet. Acabou de pensar em cenas singelas de pacientes e cachorrinhos? Pois a pesquisadora Maria de Fátima Martins foi mais longe: resolveu que iria trabalhar também com escargots, moluscos conhecidos por seu uso na cozinha francesa. Era o ano de 2000 e o projeto, intitulado "Doutor Escargot", recebia o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo, a FAPESP.
Com o apoio, Maria de Fátima começou a visitar escolas e asilos levando escargots, pássaros, coelhos e, é claro, cães. Hoje, os grupos são acompanhados pela pesquisa e se tornaram parte da sala de aula, já que, desde o ano passado, a zooterapia é também disciplina dos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), no campus de Pirassunga, no interior do Estado.
A equipe do Doutor Escargot é multidisciplinar: há terapeutas, psicólogos, fisioterapeutas e médicos veterinários. A principal técnica para ajudar os pacientes a interagir com os animais é a utilização de recursos lúdicos. "Para o idoso que não quer fazer exercício convencional, levamos o cachorrinho com uma guia e ele começa a andar. Levamos uma escova para ele pentear o pêlo do cão e, com isso, faz movimentos de braço", conta.
A interação com os bichos produz um efeito calmante no paciente. Para comprovar isso, a equipe mede a pressão arterial do idoso antes e depois do contato com os animais. "Naquele momento, a pessoa não se sente cobrada nem pressionada", explica.
Na escola, por exemplo, o trabalho com os cães pode ganhar espaço na grade curricular e levar ao desenvolvimento de outras atividades. Ao controlar o consumo de ração, por exemplo, a criança pode aprender a pesar os ingredientes. O aprendizado também aborda outros conceitos como a posse responsável, respeito às formas de vida e cidadania. Hoje, resultados como a melhora no aprendizado das crianças e ganho de qualidade de vida para os idosos não causam mais surpresa, mas continuam sendo ótimas recompensas para quem trabalha com a zooterapia.
Início - A zooterapia foi criada nos Estados Unidos, na década de 60. "Um psicólogo levou o cão no consultório e percebeu que o paciente, uma criança, se abriu mais à sessão", conta a Maria de Fátima. No Brasil, a terapia começou a ser aplicada pela psiquiatra carioca Nisida Silveira, em meados da mesma década. Ela aplicou a TAA em pacientes esquizofrênicos em substituição ao choque elétrico.
Conbravet: Maria de Fátima Martins é médica veterinária, doutora em genética e melhoramento animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP em Zootecnia. O mini-curso "Zooterapia", ministrado por ela dentro do XXXIII Conbravet (Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária), será aberto à participação de profissionais de outras áreas que tenham interesse na Terapia Assistida com Animais (TAA). O Conbravet será realizado de 9 a 12 de maio em Cuiabá (MT).