Notícia

Portal Saneamento Básico

Compostagem do lodo de esgoto

Publicado em 10 julho 2017

Desde novembro de 2015, na Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Câmpus de Botucatu, está em execução o projeto de pesquisa “Compostagem do lodo de esgoto: avaliação do processo, do produto gerado e dos custos (Fapesp-Sabesp-FCA)”, sob a responsabilidade do professor Roberto Lyra Villas Bôas, do Departamento de Solos e Recursos Ambientais da FCA.

O projeto visa contribuir com a viabilização do uso do lodo de esgoto como fertilizante em áreas agrícolas e florestais, através da compostagem, de forma a garantir um produto seguro, rico em nutrientes e matéria orgânica, de baixo custo de produção e baixo impacto no ambiente, dentro dos padrões exigidos pela Legislação Brasileira.

Alternativas

O projeto surgiu da necessidade da Sabesp em obter alternativas de tratamento e utilização do lodo de esgoto oriundo de estações de tratamento de esgoto (ETEs), que têm como destino final, quase sempre, os aterros sanitários.

A disposição em aterros não é a melhor opção, pois a legislação, a partir de 2014, obriga a deposição em aterros específicos, portanto mais caros e certamente mais distantes dos pontos de produção. Além disso, o lodo de esgoto contém alta umidade e gera lixiviado necessita de contenção e tratamento. Por fim, o lodo de esgoto contém matéria orgânica e nutrientes que podem ser aproveitados em áreas agrícolas e florestais como fertilizante, substrato e/ou material orgânico para recuperação de áreas degradadas.

O uso do lodo em área agrícola já foi realizado por algumas ETEs. No entanto, a partir de 2011 quando as Resoluções Conama nº 375 (29/08/06) e nº 380 (31/10/06) entraram em vigor, houve grande dificuldade das ETEs cumprirem os limites de tolerância para indicadores de patogenicidade para os lodos Classe A, principalmente análises de vírus.

Uma alternativa encontrada para o uso na agricultura do lodo de esgoto é enquadrá-lo como Produto Fertilizante Orgânico Composto Classe D, através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (pelo Decreto Federal 4.954 de 14/01/2004, alterado pelos Decretos nº 8.059 de 26/07/13 e nº 8.384 de 29/12/14, e pelas Instruções Normativas nº 27 de 05/06/2006 e nº 25 de 23/07/09). O lodo de esgoto ao ser misturado com uma fonte de carbono permite a elevação da temperatura, o que possivelmente diminuirá e/ou eliminará os organismos patogênicos.

Cinco subprojetos

O projeto desenvolvido na FCA é dividido em cinco subprojetos, onde são estudadas alternativas de resíduos agrícolas e florestais como fonte de carbono, a possível eliminação dos patógenos pela elevação da temperatura, a produção de substrato a partir do composto gerado, a melhoria da qualidade do composto com enriquecimento de fósforo e possível solubilização de fosfatos naturais no processo, e o custo de produção e a estimativa de transporte e aplicação do lodo compostado em área de reflorestamento na região.

O Fertilizante Orgânico Composto Classe D, de acordo com IN nº 25/2009, não pode ser utilizado em pastagens, cultivo de olerícolas, tubérculos e raízes e culturas inundadas, bem como em demais culturas cuja parte comestível entre em contato com o solo. A aplicação deve ser feita com equipamentos mecanizados e durante o manuseio devem ser utilizados equipamentos de proteção individual (EPI).

O estudo é desenvolvido no pátio de compostagem da ETE Lageado da Sabesp, localizada na Fazenda Experimental Lageado, sede da da FCA, onde foi instalada uma estufa de compostagem de 1.024 m2. O projeto de pesquisa faz parte de um Programa Parceria para Inovação Tecnológia (Pite – Fapesp), com vigência de três anos. Nesse período, serão gerados dois relatórios de pós-doutorado, duas teses de doutorado e sete dissertações.

Equipe

Além do professor Lyra, a equipe é formada pelos professores da FCA, Dirceu Maximino Fernandes, Iraê Amaral Guerrini, Magali Ribeiro da Silva e Maura Seiko Tsuitsui Esperancini e dos professores Robert Boyd Harrison (University of Washington), Reinaldo José da Silva e Vera Lucia Mores Rall (Instituto de Biociência da Unesp) e dos pesquisadores Fernando Carvalho de Oliveira (Biossolo Agricultura e Ambiente) e Rosemary Marques de Almeida Bertani (APTA Polo Regional Centro Oeste).

Também fazem parte da equipe a pós-doutoranda Caroline de Moura D’Andréa Mateus, os doutorandos Marianne Fidalgo Faria e Caio Vilela Cruz e os mestrandos Mônica Moreno Gabira, Lívia Cristina Ribeiro, Roseli Visentin, Aline Cássia da Fonseca, Laura Oliveira Cleto da Silva, e Camila Rocha Pergentino da Silva.

A equipe conta ainda com o auxílio do doutorando Marcelo Scantamburlo Denadai (Laboratório Agroflorestal de Biomassa e Bioenergia da FCA/Unesp), do engenheiro agrônomo Antônio Ribeiro da Cunha (Departamento de Solos e Recursos Ambientais da FCA) e da pesquisadora Márcia Pereira Sartori (Departamento de Produção e Melhoramento Vegetal da FCA).

Fonte: UNESP