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Publicado em 30 janeiro 2010

Agência FAPESP - Em trabalhos independentes, dois grupos acabam de anunciar a descoberta de um novo tipo de célula-tronco embrionária em camundongos e em ratos que é muito semelhante às humanas.

Os resultados dos trabalhos serão publicados esta semana no site e estarão em breve na edição impressa da revista Nature. Segundo o Conselho de Pesquisas Médicas do Reino Unido, que financiou um dos estudos, as descobertas são importantes e mudarão até mesmo a maneira como as células-tronco são vistas.

Para a instituição britânica, os trabalhos deverão ampliar o conhecimento a respeito do desenvolvimento de células-tronco e ajudar na derivação de células de outras espécies, fornecendo melhores modelos para pesquisadores envolvidos com estudos na área.

Até agora, células-tronco embrionárias derivadas de humanos e de camundongos tinham características diferentes e também não se comportavam do mesmo modo. A principal similaridade entre elas era a pluripotência, ou seja, a capacidade de se transformar em quase todo tipo de células. Mas as maneiras com que as células do camundongo e do homem mantêm o estado pluripotente são diferentes, assim como elas exigem técnicas diversas para crescer em cultura.

Os dois grupos, um baseado na Universidade de Cambridge e o outro na de Oxford, contaram com a colaboração de pesquisadores de outros países para descobrir que, quando células-tronco de camundongos eram derivadas do epiblasto (derivado pluripotente da massa celular interna) de um animal com uma semana, no lugar de derivar do estágio de blastocisto inicial (3 a 4 semanas após a concepção), como tem sido feito, elas se assemelhavam e tinham muitas das propriedades das células-tronco embrionárias humanas.

Segundo os trabalhos, essas células-tronco de camundongos podem ser mantidas a partir do uso dos mesmos fatores de crescimento empregados na cultura de células-tronco embrionárias humanas.

Os pesquisadores dos dois grupos conseguiram produzir linhagens celulares estáveis que foram usadas para identificar como as novas células se mantinham pluripotentes ou passavam a se especializar durante o desenvolvimento. Além disso, as novas células-tronco, ao serem observadas por microscopia, mostraram aparência muito semelhante às humanas.

Na seqüência, foram feitas análises em laboratórios ingleses e norte-americanos para identificar características moleculares das células-tronco recém-derivadas. Os resultados confirmaram a similaridade entre as células de camundongo e do homem.

"As células-tronco epiblásticas constituem elo que faltava entre as células-tronco embrionárias humanas e de camundongos. No nível molecular, as células epiblásticas são mais similares às humanas. As diferenças entre as células humanas e de camundongos, que atribuimos a diversidades entre as espécies, podem estar nos estágios de desenvolvimento por meio dos quais as células se formam", disse Roger Pedersen, do Conselho de Pesquisas Médicas britânico.

Segundo Pedersen, como as células-tronco epiblásticas são tão parecidas com as humanas, elas deverão fornecer melhores modelos para a obtenção de células-tronco embrionárias e para direcionar pesquisas em busca de potenciais terapias.

"Essas descobertas indicam que as células-tronco embrionárias humanas se originam em um estágio de desenvolvimento posterior ao que se imaginava. O fato de que dois estudos chegaram às mesmas conclusões ao mesmo tempo possibilita que outros pesquisadores usem essas novas informações imediatamente", disse Richard Garner, da Universidade de Oxford, que liderou um dos estudos. Segundo Garner, a existência dos dois estudos, simultâneos e independentes, destaca o importante momento atual nas pesquisas em células-tronco.

O estudo coordenado por pesquisadores da Universidade de Cambridge também é o primeiro a descrever a derivação de células-tronco pluripotentes a partir de embriões de ratos. Até agora, tais células têm sido derivadas de camundongos ou de primatas, com sucesso limitado em outras espécies.

Os artigos New cell lines from mouse epiblast share defining features with human embryonic stem cells e Derivation of pluripotent epiblast stem cells from mammalian embryos poderão ser lidos em breve por assinantes da Nature em http://www.nature.com.

(Envolverde/Agência Fapesp)