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Biodiesel de algas e pinhão-manso

Publicado em 14 junho 2010

Num workshop realizado recentemente pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o pesquisador Pushpito Ghosh, da Central Salt & Marine Chemicals Research Institute destacou: a índia está investindo em pesquisas com algas marinhas e pinhão-manso (Jatropha curcas) a fim de transformá-los em matérias-primas para obtenção de biodiesel. "Temos 1,1 bilhão de habitantes e não conseguimos suprir a demanda interna de açúcar. Ou seja, diferentemente do Brasil não há como produzir, na índia, etanol a partir de cana-de-açúcar", ressaltou.

Além deste obstáculo, existe a escassez de terras cultiváveis (apesar do tamanho do país) A razão para se investir na água, é que as algas marinhas apresentam taxa de crescimento de 5% a 9% ao dia e permitem colheitas a cada 45 dias. "Tal produção não pode ser comparada a nenhuma outra cultura convencional", salientou Ghosh. Além disso, tem outra contrapartida importante: a energia a partir das algas reduziria a pressão por terras, eliminaria o uso de pesticidas e não causaria demanda por água para irrigação nas plantações.

Mas devagar com o andor: ainda são necessários estudos para precisar os impactos ambientais que a cultura no mar pode causar ao meio ambiente. Aparentemente o projeto indiano poderia abalar os sistemas de corais. Outra fonte promissora de energia para o país indiano é o pinhão-manso, planta também presente no Brasil. Para produzi-lo, os indianos utilizam regiões áridas e que não sejam utilizadas pela agricultura. Um dos objetivos da pesquisa é o aproveitamento integral do fruto. Tanto que sua casca, que antes era descartada, passou a substituir a lenha. Segundo Ghosh, a avaliação do biodiesel feito a partir do pinhão-manso apontou alto rendimento do combustível, aproximando-se do desempenho do diesel de origem fóssil. Ele já foi testado em veículos diesel convencionais, sem que fosse preciso nenhuma adaptação nos motores.