Notícia

O Liberal (PA)

Base Tecnológica

Publicado em 26 junho 2008

Por Luis Nassif

Desde os anos 90, houve uma aposta de diversas universidades e fundações de pesquisa em pequenas empresas de base tecnológica, nascidas de pesquisadores da própria instituição.

O caso da Tech Chrom permite entender um pouco melhor como tem se dado esse processo, como surgem as idéias, como evoluem, onde estão os nichos para os novos produtos e, também, as barreiras.

Há quase 20 anos, o pesquisador José Félix Manfredi desenvolveu um cromatógrafo inovador. Esse equipamento serve para identifi car a quantidade de ingredientes que o compõe.

Até a Segunda Guerra era um recurso analítico, utilizado especialmente por analistas de petróleo. No final dos anos 40, dois cientistas americanos propuseram a sistematização da cromatografia. Conquistaram o Nobel de Química por esses estudos.

Em 1955, a gigante PerkinElmer lançou o primeiro cromatógrafo em escala comercial. Um pouco antes, uma estudante de mestrado, Carol Collins, leu o livro e, com base nele, conseguiu construir um equipamento caseiro para uso próprio.

Anos mais tarde, Carol viajou o mundo com o marido, também cientista, a convite da ONU, implantando o uso do cromatógrafo em vários países. Em 1974 vieram parar no Brasil. Com problemas de visão, o marido foi a Campinas, se tratar no Instituto Penido Burnier. Lá descobriram a jovem Universidade Estadual de Campinas e decidiram ficar.

Félix estudou com ela, formou-se, foi contratado pela Unicamp, depois saiu para trabalhar em uma indústria. Lá, surgiu a idéia de criar um cromatógrafo.

O aparelho original é do tamanho de um frigobar. Ele utiliza um sistema de colunas. Para cada tipo de ingrediente é usada uma coluna diferente. E cada qual custava mil dólares.

O que Félix fez foi criar uma caixa, que batizou de K7, onde pode-se colocar ou tirar cada coluna, sem maiores dificuldades.

Desenvolveu, patenteou no Brasil e nos Estados Unidos. Acabou o dinheiro quando pensava em patentear na Europa. Foi atrás da velha mestra que nem vacilou: sacou o talão de cheque e se tornou sócia do projeto.

Desenvolvido o projeto, veio a necessidade de investimento. E aí Félix guardou a idéia na mochila por falta de recursos.

Em 2002, com a mudança dos ventos, abriram-se novas possibilidades. A Unicamp criou sua incubadora, Félix submeteu o projeto que foi aprovado. Com a chancela da universidade, conseguiu apoio da Fapesp e do CNPQ.

Hoje o produto está pronto para ir ao mercado. O projeto está na fila, candidato a um financiamento da Fapesp.

O Brasil tem 3%fape do mercado mundial de instrumentação analítica. Só aqui, esse mercado representa US$ 1 bilhão, sendo o cromatógrafo o equipamento mais relevante. Só que os concorrentes são empresas do porte da Perkin, HP, Varian, ou seja, gigantes mundiais.

Aí se entra no cerne da questão. Produtos inovadores exigem investimento e técnicas inovadoras de venda, ainda mais em mercados dominados por gigantes. A Tech Chrom vai buscar seu nicho nos setores petroquímico e sucroalcooleiro.

Mas falta o modelo de negócios e um sócio capaz de prospectar o mundo.