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Animais com "RG"

Publicado em 29 dezembro 2010

O programa Biota-Fapesp elaborou e disponibilizou no site da revista eletrônica do programa, a Biota Neotropica (http://www.biotaneotropica.org.br/v11n1a/pt), uma lista oficial e atualizada das espécies de vertebrados e invertebrados que compõem a biota paulista. É como se peixes de água doce e marinhos, além de répteis, aves, mamíferos e anfíbios desta região do Brasil ganhassem “RG” e “comprovante de endereço”. 

O anúncio foi feito durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada pelo Programa Biota-Fapesp juntamente com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Bragança Paulista (SP), em meados deste mês. A reunião marcou o encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade. 

Segundo Carlos Alfredo Joly, coordenador do programa, inicialmente a lista é composta por espécies de cinco grupos de vertebrados – peixes de água doce e marinhos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos – e 21 grupos de invertebrados. Mas os números de espécies catalogadas devem aumentar já nos próximos meses. “A lista está em construção. Logicamente que ela sempre será modificada e atualizada porque novas espécies vão ser descritas e encontradas”, ressaltou. 

Até o mês que vem os pesquisadores pretendem disponibilizar, também para consulta pela internet, a lista de 7,2 mil espécies de plantas fanerógamas (com sementes) que integram a flora paulista. E, posteriormente, a de outros grupos de plantas, como líquens, samambaias, musgos e algas. Um dos principais objetivos da lista é ser uma referência científica das espécies de animais e plantas que ocorrem no Estado de São Paulo para estabelecer medidas de conservação. 

Outra utilidade da lista, segundo Joly, será garantir a repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade entre os países onde isso foi decidido, que foi um dos maiores avanços da 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada no fim de outubro em Nagoya (Japão).  

A medida estabelece, por exemplo, que se uma molécula de uma determinada espécie de planta levar ao desenvolvimento de um produto pela indústria farmacêutica ou cosmética, os lucros deverão ser compartilhados com os países que demonstrarem que a espécie ocorre em seu território.