Notícia

Diário Catarinense

A universidade e a empresa

Publicado em 19 julho 2018

A interação entre universidade e empresa no Brasil no período de 2001 a 2010, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), recebeu no Fundo de Infraestrutura (CT-Infra) aproximadamente R$ 2 bilhões na implantação e recuperação da infraestrutura de pesquisa nas instituições públicas do país. Essa iniciativa não apresentou continuidade nos anos seguintes.

Ao contrário, o que temos visto é o corte contínuo de recursos para essa finalidade e, obviamente, sem contar a penúria vivenciada pelos pesquisadores com seus projetos de pesquisa frustrados por falta de verbas. Nesse contexto, é necessário analisar cuidadosamente alguns aspectos. Por um lado, não temos poüticas públicas contínuas, duradouras, planejadas, integradas nos diversos órgãos governamentais e imunes aos vaivéns da poütica nacional que permitam ao campo educacional, específico nas universidades públicas, obter avanço científico e tecnológico nas devidas pesquisas. Por outro lado, há necessidade de se reconhecer que a inovação tecnológica requer um grau de interação entre a universidade - centro de pesquisa - e o setor privado produtivo, algo que ainda apresenta baixíssimos níveis de articulação, principalmente quando se trata das universidades públicas. Há pouco conhecimento do que um centro de pesquisa científica seja de universidade pública ou privada pode oferecer para análise e desenvolvimento de projetos de inovação, principalmente no tocante ao capital humano. Os ativos dispombilizados para alavancar as pesquisas e os convênios existentes com universidades e centros de pesquisa internacionais são desconhecidos na maior parte pelo setor privado.

O quadro normativo existente de linhas de fomento é razoável para um país carente de recursos, bem como iniciativas de incentivo à pesquisa. Por exemplo, quem conhece a Embrapü? É a Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, instituição civil, organização social contratada pelo MCTIC com interveniência do Ministério da Educação como gestora. O papel da Embrapü é atuar por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, com vistas a atender as demandas empresariais, compartilhando o risco e dispombilizando recursos para projetos de interesse das empresas. Exemplos dessas parcerias, geralmente, recaem nas realizadas com sucesso, como da Embraer, na pesquisa aeronáutica desenvolvida junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A USP, em 2017, contabilizou cerca de 90 contratos de pesquisa com empresas privadas.A geração de conhecimento está nas universidades e a aplicação prática desse conhecimento está no setor produtivo privado como atestam países como Estados Unidos, Coreia do Sul ou Suíça em que são potências inovadoras por meio da interação universidade-empresa com respaldo governamental.

Necessitamos é desmistificar essa aproximação e, no caso do comércio exterior, essa parceria assume fundamental importância porque permite aos empresários aprender a "pensar" seu negócio e a acrescentar inovação e competitividade. Geralmente, no dia a dia, essa parceria não é feita sob alegação de falta de tempo ou de incompatibilidade de interesses ou, pior, por desconhecimento de como as universidades podem colaborar para o objetivo das empresas.