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A importância da ciência

Publicado em 18 novembro 2011

A produção de trabalhos científicos tem aumentado constantemente no Brasil, segundo dados divulgados pela base de dados de artigos científicos, Web of Science-ISI, entre 2007 e 2008 o Brasil aumentou em 56% o número de artigos publicados em revistas internacionais especializadas, elevando o país ao 13º lugar no ranking dos países com maior volume de produção científica do mundo.

O professor universitário e pesquisador Glauco Madeira de Toledo confirma os dados sobre a produção científica no Brasil, mas ressalta que grande parte desse aumento aconteceu a partir da indexação de revistas científicas já existentes, mas que não constavam nessa base, sendo assim o aumento já havia acontecido, mas ainda não havia sido visto. "A produção de conhecimento, desde que seja feita de forma criteriosa, é sempre benéfica, por rever conceitos desatualizados e discutir outros pontos de vista dos temas atuais. Mas creio que discussões com exemplos e pontos de vista distantes, especialmente nas áreas das ciências humanas e das ciências sociais aplicadas são, muitas vezes, mais difíceis de estudar e interiorizar do que as discussões com exemplos e pontos de vista mais próximos.

A produção aumenta não só por ser feita em volume maior por pesquisador, mas por termos um número maior também de autores. A experiência de produzir ciência ensina muito. Levar trabalhos a bons congressos permite uma discussão que enriquece muito a visão do autor que apresenta. Hoje temos a possibilidade de levar para sala de aula um conteúdo produzido pelo próprio professor, o que no Brasil era realidade apenas em grandes universidades públicas, mas que agora vai, aos poucos, se aproximando de instituições menores (embora ainda em maioria no ensino superior) e, quem sabe em um futuro não tão distante, possa ser uma realidade frequente no ensino médio", conta.

Ainda segundo a pesquisa, a taxa de crescimento na elaboração de trabalhos científicos é de 8% ao ano, enquanto a média mundial está em 2%, entre as áreas pesquisadas destacam-se ciências naturais e agrícolas. "Certamente vejo a componente histórica, mas é oportuno lembrar que a biodiversidade de fauna e de flora no país é a maior do mundo, contando com uma grande variedade de climas, por sermos um país tão grande. Em termos de recursos naturais e de extensão de terra para plantio é difícil fazer frente a um laboratório dessas proporções. Não acho que devamos pesquisar apenas aquilo que temos em abundância, ou que é mais fácil. Mas me parece natural que tenhamos muitas pesquisas nessas áreas", revela Glauco.

Para fomentar esses trabalhos alguns órgãos ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia e secretarias estaduais fornecem apoio financeiro para pesquisadores e cientistas brasileiros, o que tem contribuído diretamente para a especialização de professores, entre os números revelados pela pesquisa destaca-se o número de estudantes de mestrado e doutorado que é maior do que há 20 anos. O professor explica que para alguém escrever um único artigo científico, ou um primeiro trabalho, em geral não há apoio, porém existe órgão que auxiliam a pesquisa científica no Brasil. "Existem órgãos pensados para auxiliar a pesquisa científica no Brasil, dentre os quais poderia citar o CNPq, a CAPES e as FAPs, que são fundações de amparo a pesquisas estaduais. Em São Paulo temos a FAPESP, no Rio de Janeiro e FAPERJ.

Para estudantes de graduação existem bolsas de Iniciação Científica, que são pensadas para levar o aluno de faculdade a efetivamente ser levado à pesquisa acadêmica e à produção de relatórios e artigos. Para os pós-graduandos em stricto sensu, ou seja, de mestrado, doutorado, pós-doutorado, existem bolsas para o auxílio ao desenvolvimento desses trabalhos, que são pesquisas científicas. E para os professores pesquisadores de universidades públicas, além do fato de serem contratados para prover as instituições com projetos de ensino, pesquisa e extensão, há a possibilidade de ampliar as pesquisas com verba desses órgãos para que haja um investimento em equipamento, material, mão de obra, para viabilizar estruturas que as próprias universidades sozinhas não conseguiriam bancar" diz.

Em nota o Ministério da Educação informou que a expectativa é encerrar o período entre 2006 e 2011 com 17 mil novos doutores lecionando nas universidades do País.

Para os alunos que pretendem entrar no mercado da produção científica o professor Glauco Madeira de Toledo dá dicas para iniciar as pesquisas e concluir um trabalho de sucesso. "Que leiam outros trabalhos científicos. É muito comum o aluno que se depara com a incumbência de escrever seu primeiro artigo científico e nunca leu um. É muito difícil escrever uma boa peça de teatro sem nunca ter assistido a uma, escrever um livro sem ter lido, enfim, repertório é importante não só para produções artísticas, mas também para produções científicas. Não digo isso apenas por uma necessidade de o autor dominar o conteúdo, isso é o mínimo, mas também a forma. Perceber que assuntos são bons para serem abordados em um artigo de quinze páginas e que assuntos demandam sessenta é fundamental. Há inúmeras bases de dados para auxiliar na localização de artigos científicos e até mesmo o Google tem seu aplicativo acadêmico, que filtra os resultados da sua busca por um determinado termo, sem te entregar resultados que incluam tudo que há na rede, mas apenas livros, artigos e citações. A ciência precisa utilizar o progresso que ela mesma possibilita, e para isso, os pesquisadores precisam se atualizar", concluí.

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Texto: Pâmela Silva