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Guarulhosweb

A cidade e a floresta urbana

Publicado em 14 setembro 2007

Por Rodrigo Montaldi Morales

Como forma de buscar a harmonia entre a cidade e a floresta urbana a APA Cabuçu — Tanque Grande poderá beneficiar mais de 10 milhões de pessoas

Apesar de estar localizada na região Norte do município de Guarulhos, abrangendo os bairros do Cabuçu, Cabuçu de Cima, Tanque Grande e parte do bairro da Invernada, num total aproximado de 60 km² e que destes, 33 km² é o que representa de fato o tamanho da APA Cabuçu — Tanque Grande, o benefício com a implementação desse "novo território" poderá se estender a 17 mil km² para mais de 10 milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo. Isso se considerarmos que toda essa interligação em rede dos fatores socioambientais faz parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (patrimônio da humanidade protegido pela UNESCO). Tal abrangência coloca a importância de defendermos a criação dessa Área de Proteção Ambiental na cidade de Guarulhos.

Fruto de um projeto de pesquisa em políticas públicas, o Projeto Cabuçu UnG/Fapesp (realizado pela Universidade de Guarulhos e Fapesp com a participação da Prefeitura Municipal de Guarulhos - Secretarias de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Urbano; SAAE; PROGUARU; Instituto Florestal; IPT; e UNICAMP), a APA Cabuçu — Tanque Grande começou ser esboçada com a reformulação do Plano Diretor da Cidade de Guarulhos em 2004, onde definiu as macrozonas do município. Para a região uma Macrozona Rural — Urbana e uma de Proteção Ambiental foram estabelecidas. A grande concretização dessa Área de Proteção Ambiental aconteceu com a reformulação da Lei de Zoneamento em 2007 que em seus artigos 41º a 43º define a criação da APA, bem como critérios e prazos de uma lei específica para essa Unidade de Conservação.

A partir de então, um Grupo Executivo constituído pelo Poder Público (membros da Secretaria de Meio Ambiente, Secretaria de Desenvolvimento Urbano, e do Instituto Florestal) e pela Sociedade Civil (membros da Universidade Guarulhos e da ONG Projeto Cabuçu de Desenvolvimento Local) discutem uma proposta de projeto a ser encaminhada para a Câmara Municipal em novembro de 2007.

Entre algumas das principais diretrizes dessa APA definida na Lei de Zoneamento e discutida por esse Grupo Executivo está a necessidade de promover o desenvolvimento aliado à conservação dos recursos ambientais existentes; proteger os mananciais do Cabuçu e do Tanque Grande (os únicos mananciais de Guarulhos); recuperar as áreas degradadas; requalificar as áreas urbanizadas, promovendo a redução e prevenção de áreas de risco; atender aos princípios da Agenda 21; estabelecer programa de orientação para uma ocupação urbana adequada; conservar os serviços da biosfera; entre outras diretrizes.

Dois grandes mecanismos tendem a garantir o sucesso dessa APA. O primeiro é o zoneamento ecológico — econômico, levando em conta potencialidades e limitações do geoambiente e os usos atuais. E o segundo tão complementar ao primeiro, pois estes conhecimentos e a vontade de harmonizar florestas urbanas só podem frutificar numa gestão participativa, é criação do Conselho Gestor da APA Cabuçu Tanque Grande — órgão gestor desse território.

É no sentido de potencializar as diretrizes estabelecidas para essa APA, que a ONG Projeto Cabuçu de Desenvolvimento Local atua desde 2002 pela defesa, preservação e conservação do meio ambiente da região do Cabuçu aliado a experimentação de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos da cadeia turística.

Com um modelo de gestão participativa, a ONG Projeto Cabuçu, dentro da Coordenadoria de Planejamento Territorial, possui um programa de planejamento turístico participativo que desde 2004 envolve estudantes universitários e moradores da região em um processo de planejamento participativo do turismo no sentido de construir um plano de desenvolvimento turístico de base local comunitária para a APA Cabuçu — Tanque Grande. Conhecido como turismo acadêmico (ou turismo pedagógico) as visitas técnicas, realizadas por estudantes universitários, nas quais os alunos visitam a região do Cabuçu e a estudam, gerando assim, um intercâmbio de informações e vivências entre estudantes e moradores, garante que o local sirva de área de estudo, e os estudos sirvam à população.

Experiências como essas do turismo acadêmico convergem para a construção de um desenvolvimento sustentável, sustentabilidade essa que é a grande questão da criação da APA Cabuçu — Tanque Grande.

*Rodrigo Montaldi Morales é Turismólogo e coordenador de Planejamento Territorial da ONG Projeto Cabuçu de Desenvolvimento Local