Notícia

Revide Vip online

6º Férias com Ciência

Publicado em 06 agosto 2013

Estudar ciências não precisa ser um bicho de sete cabeças. Esta lição ficou clara para os jovens de 10 a 17 anos que participaram da sexta edição do “Férias com Ciência”, que aconteceu nas tardes de 23 a 25 de julho, no Museu e Laboratório de Ensino de Ciências (MuLEC), no Campus da USP Ribeirão. O evento despertou tamanha curiosidade dos presentes que nem mesmo o tempo frio e chuvoso foi obstáculo para que eles praticassem todas as atividades programadas.

Promovido pela Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto, o “Férias” deste ano mostra que a ciência está próxima de todos e que pode ser encontrada até mesmo no quintal de casa, seja num formigueiro ou numa casca de árvore. “Os jovens carregam o mito de que a ciência é distante, difícil, inatingível e por isso não possuem o hábito de relacionar os eventos que os cercam com conceitos científicos. Muitas vezes a própria escola e o professor não conseguem incentivar a realização de iniciação científica. Aqui tentamos instigar os jovens ao máximo e eles ficam interessados, passam a associar conceitos e começam a ver que a ciência está em todo lugar, bem perto deles”, enfatiza a coordenadora da Casa da Ciência, professora Marisa Ramos Barbieri.

No primeiro dia do “Férias” os jovens chegaram quietos, tímidos, mas no decorrer das atividades ficaram bastante à vontade para fazer perguntas e participar ativamente. Por meio de articulações e da apresentação de materiais para observação, a equipe da Casa estimulou os alunos a pensar sobre ciências, a questionar, fazer novas comparações e construir suas próprias hipóteses. Os jovens foram convidados a pensar como cientistas e pesquisadores e a escolher o assunto que gostariam de investigar nos próximos dias do evento.

O interesse dos participantes foi tanto que até mesmo debaixo de chuva eles quiseram ir à campo para observar na natureza os materiais escolhidos para o estudo. Logo depois da atividade, as dúvidas dos estudantes foram sanadas e a equipe da Casa apresentou uma síntese de cada etapa de um projeto acadêmico para que eles pudessem planejar e desenvolver uma iniciação científica. No último dia, os alunos apresentaram o planejamento para os demais colegas, fizeram as alterações necessárias e terminaram o projeto de iniciação científica, evidenciando o que aprenderam nos três dias. Para o curto tempo que durou o evento, comparado aos longos meses de uma pesquisa científica, tivemos aprendizados interessantes com a prática científica. Quando questionada sobre importância do trabalho científico para complementar as atividades escolares, a aluna Ana Isabel Doretto, de 14 anos, disse que “ajuda e tanto, pois faz com que aprendamos na teoria e podemos por a ‘mão na massa’ e vermos se tudo aquilo é verdade”. Ana participou de praticamente todos os dias, e se demonstrou muito interessada na adaptação do aguapé, assunto do qual foi logo dizendo o que aprendeu: “O aguapé tem como característica morfológica relacionada à função o parênquima aerífero, que serve para flutuação da planta”.

Os materiais utilizados no programa são, em sua maioria, reaproveitados de outros eventos e atividades realizados pela Casa da Ciência, porém, apresentados por uma nova perspectiva de análise. O que demonstra que ensinar ciências pode ser feito com custos reduzidos ou sem gastar quase nada.

O objetivo do programa de promover a aproximação dos alunos com a ciência e a pesquisa de maneira leve e descontraída foi alcançado. Os jovens puderam perceber que a ciência não é tão complicada. “Sempre achei as provas de ciências as mais difíceis da escola, mas agora percebi que não é tão difícil assim e que a ciência está mais próxima do que eu achava. Aprendi muito e quero começar a participar dos outros programas da Casa”, afirma o estudante Gabriel Herrera Ribeiro, de 12 anos.

Casa da Ciência

A Casa da Ciência é um programa do Hemocentro de Ribeirão Preto que desenvolve atividades educacionais de ciências com objetivo de aproximar a pesquisa científica de alunos e professores da rede básica de ensino e apoiá-los. O programa começou em 2001, como parte educacional do Centro de Terapia Celular (CTC), integrante dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), financiados pela Fapesp. Coordenado pela Profa. Dra. Marisa Ramos Barbieri, o programa foi proposto a partir da trajetória metodológica do LEC – FFCLRP/USP (entre 1981-2000), que trabalhava diretamente com professores e alunos das escolas básicas.

Site da Casa da Ciência: http://www.ead.hemocentro.fmrp.usp.br/joomla/

Revide On-line