Notícia

Correio Lageano

Zumbido nos ouvidos é cada vez mais comum em adolescentes

Publicado em 14 julho 2016

Quem pensa que problemas auditivos são comuns apenas em pessoas da terceira idade está enganado. Aumenta cada vez mais o índice de zumbido nos adolescentes, um dos sintomas da perda auditiva. Foi o que constatou a pesquisa “Prevalência e causas de zumbido em adolescentes de classe média/alta”, realizada por pesquisadores da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (Apidiz), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com apoio da Fapesp. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

O zumbido vem atingindo os adolescentes principalmente em razão do hábito de usar diariamente fones de ouvido para escutar música; ao que se soma o fato de esses jovens frequentarem muitos ambientes extremamente barulhentos, como boates, danceterias e shows. A fonoaudióloga Isabela Carvalho, da Telex soluções Auditivas, ressalta que os males à audição causados pelo uso frequente dos fones podem variar, mas é preciso estar atento para evitá-los.

“A grande preocupação é que a Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (Panpise) tem efeito cumulativo, isto é, vai agravando-se ao longo do tempo. Dependendo da frequência, do tempo de exposição ao som elevado e da predisposição genética, o indivíduo pode sofrer danos auditivos cada vez mais severos, de forma contínua e elevada ao longo da vida”, explica Isabela, que é especialista em audiologia.

Durante a pesquisa, foram feitos testes auditivos em 170 adolescentes na faixa etária de 11 a 17 anos. Eles também responderam em um questionário se sentiam zumbido nos ouvidos e qual a intensidade, duração e frequência. Mais da metade dos jovens (54,7%) respondeu que, nos últimos 12 meses, percebeu tal ruído. Destes, 51% disseram que sentiram zumbido logo após usar fone de ouvido por muito tempo ou ao saírem de um ambiente muito barulhento. Já os testes auditivos revelaram que 28,8% dos adolescentes sentiram zumbido em níveis comparados aos de adultos. O mais alarmante é que esses jovens disseram não se incomodar com o ruído e, por conta disso, não relataram o problema a seus pais, nem procuraram ajuda médica.

“Quanto mais cedo for detectada a perda auditiva, melhor. Recomendo às pessoas que usam fones de ouvido com frequência que façam uma avaliação chamada audiometria. É o exame que revela se o paciente já tem perda auditiva e como deve proceder, a partir daí, para evitar o agravamento do problema”, aconselha a fonoaudióloga da Telex.

Já existem hoje no mercado fones mais confortáveis, que se ajustam melhor ao canal auricular, os earphones; ou os que promovem maior isolamento dos sons externos por meio de almofadas extraconfortáveis, caso dos headphones. Investir nessa tecnologia é fundamental, uma vez que esses fones permitem um maior isolamento do barulho ambiente, possibilitando que se escute a música em volume mais baixo, o que reduz os riscos de perda auditiva. “O problema relacionado ao uso de fones de ouvidos está ligado ao volume e ao tempo diário em contato com o ruído. A exposição ao som intenso e frequente acima de 85 decibéis pode provocar danos irreversíveis à audição com o passar do tempo”, enfatiza Isabela Carvalho.

A verdade é que, se os adolescentes continuarem expondo-se a níveis muito elevados de ruído, acima dos 85 decibéis, poderão começar a apresentar perda de audição muito cedo, entre 30 e 40 anos. Intensidades de 80 a 90 decibéis já aumentam o risco de uma lesão na cóclea – órgão dentro do ouvido responsável pela audição.

A boa notícia, porém, é que tanto o zumbido quanto as perdas auditivas de leves a severas podem ser amenizadas com o uso de aparelhos auditivos. E o design moderno e confortável dos aparelhos está ajudando a derrubar possíveis resistências e preconceitos.