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Zoofilia é tema de livro de contos de professor da UFSCar

Publicado em 05 junho 2014

O agir animalesco ou que se relaciona de alguma forma com – e como – os bichos, retratado como uma paixão, que vai além do que a maioria pensa. Assim pode ser introduzido o tema central do livro "Histórias zoófilas e outras atrocidades", do professor Wilson Alves-Bezerra, do Departamento de Letras (DL) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que tem lançamento em São Carlos na próxima terça-feira, dia 10.

Este é o primeiro livro de contos de Alves-Bezerra. A obra está sendo publicada em co-edição entre a EdUFSCar e a Oitava Rima Editora. Na obra, as particularidades da Zoofilia são reveladas em histórias contagiantes, com dramas, diálogos e pensamentos próprios. São os quatro capítulos - Hagiografia Profana, Histórias Zoófilas, Outras Atrocidades e Romance Familiar - que abrigam dezenove contos. Para José Luis Martínez Amaro, professor de Literaturas Hispânicas da Universidade de Brasília (UnB), que assina a orelha da obra, cada uma das histórias, independentes entre si, dão liga à uma unidade temática, abordam questões religiosas, sobrenaturais e cotidianas. Todas elas, segundo ele, empregam um pano de fundo realista para derramar o fantástico à moda do argentino Borges. “Sua escrita enlaça um contemporâneo que dialoga comodamente com o [século] dezenove – esse fim de século hispânico que está próximo de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Guimarães Rosa, Osman Lins e Hilda Hilst”, diz o professor no prefácio. Também de acordo com Amaro, a zoofilia pode oscilar entre aquele que “escuta harmonias no canto dos pássaros e o bruto livre que mata e que massacra”.

 

Ao falar sobre o livro, Alves-Bezerra o relaciona tanto a atividade pulsional da escritura quanto ao cotidiano de leituras relacionadas ao gosto pessoal e à universidade. Neste sentido, a obra é perpassada por inspirações em Horacio Quiroga, Julio Cortázar, Edgar Allan Poe, Jorge Luis Borges, Hilda Hilst, Ricardo Piglia e Charles Baudelaire. Segundo o autor, o mote dos contos é a animalidade humana, em sentido amplo. "Falo das paixões que nos arrebatam, o amor, a morte, a religiosidade, tudo entremeado pelo chamado do selvagem, de que já falava Jack London. É uma releitura perturbada de fábulas, histórias de amor e da vida dos santos", afirma o escritor.

 

A atividade como docente na UFSCar e como gestor da Coordenação de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão (ProEx), onde é coordenador, também é apontada pelo autor como um espaço de interlocução privilegiado. Segundo ele, a universidade e o jornalismo têm sido lugares de atuação do escritor. "Muito embora nenhum dos dois se confunda com a literatura, ambos podem vir a permitir a proximidade ao literário e ao negócio da literatura. Pode-se passar uma vida num curso de literatura sem ser escritor, mas é um bom lugar para um escritor estar", enfatiza Alves-Bezerra, que também reflete sobre a escrita no cotidiano, em espaços como a tradução, a resenha literária, a aula, o artigo, a palestra. "Escrever literatura não é uma ilha. A linguagem que faz o artigo, faz o delírio. E depois é preciso disciplinar o escrito, nos mecanismos de circulação", finaliza o escritor.

 

O livro pode ser adquirido no site da EdUFSCar, em www.editora.ufscar.br. No evento de lançamento, que ocorre no Sesc São Carlos, a partir das 20 horas, haverá sessão de autógrafos e um bate-papo entre o escritor e o jornalista Rinaldo Gama, editor-senior da Revista Veja. O Sesc fica localizado na Avenida Comendador Alfredo Maffei, 700, Jardim Gilbertoni.

 

Sobre o autor

 

Wilson Alves-Bezerra possui graduação em Letras Espanhol-Português pela Universidade de São Paulo (2001), mestrado em Letras (Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana) pela Universidade de São Paulo (2005) e doutorado em Letras (Literatura Comparada) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2010). Atualmente é coordenador de Cultura da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde atua - como professor adjunto - na graduação e no Programa de Pós-graduação em Estudos de Literatura. É autor de Reverberações da fronteira em Horacio Quiroga (Humanitas/FAPESP, 2008) e Da clínica do desejo a sua escrita (Mercado de Letras/FAPESP, 2012). Tradutor de Horacio Quiroga e de Luis Gusmán. Colabora como resenhista em O Globo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora. Sua tradução de Pele e Osso, de Luis Gusmán, foi finalista do Prêmio Jabuti 2010, na categoria Melhor Tradução Literária Espanhol-Português.