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Metro Jornal Campinas

Zika no início da gravidez é mais perigosa, aponta estudo

Publicado em 03 abril 2017

Estudo desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Biologia do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa e Energia em Materiais), de Campinas, e coordenado pelo médico José Xavier Neto indica que a infecção pelo vírus zika só produz anormalidades congênitas graves em filhotes de camundongos quando suas mães são expostas ao patógeno entre o quinto e o 12º dia depois da fecundação. Em seres humanos, aponta a pesquisa, esse intervalo de tempo equivale à segunda e à quinta semana de gestação. Nos roedores, a infecção por zika após o 12º dia do ato sexual não levou a malformações significativas nos filhotes.

Realizado com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o estudo envolveu a criação de um modelo animal da infecção por zika que fosse similar ao que ocorre em humanos. Em duas linhagens selvagens de camundongos, com um sistema imunológico apto a combater infecções, os pesquisadores injetaram o vírus na veia jugular de fêmeas grávidas em diferentes momentos da gestação, entre 5,5 e 19,5 dias após a fecundação. Dessa forma, puderam ver a sequência de problemas que o vírus causa nos filhotes de roedores em função do estágio da gravidez em que houve o contato com zika. “Queríamos mapear a janela crítica em que a infecção na gravidez produz malformações congênitas”, explica Xavier.

Filhotes de fêmeas que foram contaminadas cinco dias após a fecundação apresentaram uma série de problemas de desenvolvimento: fechamento incompleto do tubo neural (disrafia), hidrocefalia e atraso no crescimento do embrião.

Quando a infecção ocorria entre 7,5 e 9,5 dias depois da fecundação, os filhotes exibiam um quadro clínico que não se limitava à microcefalia. Eles também tinham hemorragia no interior da bolsa amniótica, edema generalizado e pouca vascularização, sobretudo na região cerebral.

Alguns embriões chegaram mesmo a morrer no útero depois da infecção. Segundo o pesquisador, o modelo animal de zika desenvolvido no LNBio é o único a mostrar disrafia, hidrocefalia e artrogripose (contração congênita das articulações, que leva à formação de mãos e pés tortos ou curvados).

Infecções induzidas após o 12º dia de fecundação não provocaram danos maiores nos fetos de roedores. Embora ausente dos tecidos cerebrais dos embriões que se encontravam nessa fase da gestação, o genoma do zika foi detectado em células do baço, do fígado e dos rins dos camundongos em formação.

Cuidados

Segundo Xavier, é necessário que as gestantes mantenham cuidados básicos para se proteger do mosquito Aedes aegypti – transmissor de dengue, zika e chikungunya. “Usar repelentes e manter a limpeza para espantar o mosquito”, destaca o médico.