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Xbot desbrava mercado de robôs via educação e lazer

Publicado em 10 janeiro 2011

Por Fhoutine Marie

SÃO PAULO - Quando se fala em robótica, a imagem que vem à mente da maioria das pessoas remete aos clássicos do cinema de ficção científica. Entretanto, o mundo da robótica é muito mais vasto do que se imagina e pode estar presente em diversos setores da atividade econômica, como indústria, defesa e segurança, saúde, mineração e até entretenimento. A proposta da Xbot, de São Carlos (SP), é fazer com que o mercado da robótica móvel ganhe impulso no Brasil.

"O mercado de robôs no mundo é extremamente heterogêneo, com diversos segmentos e nichos explorados por dezenas de empresas. Estima-se que mais de 7,3 milhões robôs foram comercializados entre 2008 a 2011, com valor total de vendas de aproximadamente US$ 1,7 bilhão. É um cenário altamente positivo", declarou o diretor da Xbot, Antônio Valério Netto.

Na busca por conquistar uma participação importante neste segmento, a XBot há três anos se dedica a desbravar o mercado nacional de robótica. A empresa é pioneira no país na fabricação e comercialização de produtos para o mercado de educação e entretenimento.

"Na educação os robôs móveis podem ser usados nas instituições de ensino técnico e superior para auxiliar o aprendizado. Por se tratar de um modelo vivo, ele possibilita que os conteúdos de mecânica, física, matemática, entre outros, sejam visualizados, o que torna as aulas mais dinâmicas e ajuda a compreender melhor", explica.

Valério Netto lembra que não existia até pouco tempo no Brasil mercado de trabalho para esse conhecimento tecnológico multidisciplinar. "Este é um passo importante no ciclo educacional do profissional que aprende a teoria dentro das universidades, mas até então não tinha a opção de aplicar e aprimorar este conhecimento teórico dentro de empresas", diz.

A outra aposta da empresa para o segmento de robôs móveis é a área de entretenimento, que deve ganhar impulso no País com as Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016. "Criamos um produto chamado RoboGol, baseado no jogo de pebolim, também conhecido como "totó." Só que nessa versão moderna, os jogadores são controlados por seres humanos via joystick e sem fios", conta o executivo, ao DCI.

Valério revela que a empresa começou a se estruturar há seis anos, três antes de entrar em atividade. O apoio de instituições de fomento à pesquisa e tecnologia, como Fapesp, CNPq e Finep foi fundamental para desenvolver uma linha de produtos com preços competitivos.

A empresa obteve nos últimos 12 meses investimentos da ordem de R$ 500 mil por meio dos programas Pesquisador na Empresa e Programa Nacional de Pós-Doutorado. "Com este recurso, está sendo possível aproximar jovens desenvolvedores para aprimorar os produtos e tornar cada vez mais competitivos os robôs móveis para o mercado", diz.

O grande desafio nesse setor é manter um alto volume de inovação e incremento das aplicações. Para Valério, não seria possível ter uma equipe interna de engenheiros, mestres e doutores focada nesta atividade sem recursos das agências de fomento, pois os custos e as taxas de retorno de investimento são elevados, o que encareceria o produto na compra final.

"Não teríamos conseguido avançar sem o apoio desses financiamentos. Agora que já nos estruturamos podemos partir para uma segunda etapa, que é buscar investidores", diz. No último ano a empresa conseguiu atingir um faturamento de R$ 660 mil. O objetivo em 2011 é chegar a R$ 1 milhão.

Atualmente a empresa fabrica uma série de robôs sob demanda, com preços que podem custar até R$ 5 mil. Entre os clientes está a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que adquiriu um dos modelos de robô educacional produzido pela empresa, o RoboDeck.

"Como é algo que está começando no Brasil, as coisas não acontecem rápido. Mesmo em países que já estão mais avançados no mercado da robótica, como Japão e Coreia, a média de crescimento é de 10% a 15% ao ano. Contudo, já percebemos que esta experiência começa a dar frutos e outras empresas começam a mostrar interesse", afirma.

A empresa tem colocado em prática o conceito de open innovation (inovação aberta), o que possibilita que as entrantes tenham acesso à tecnologia desenvolvida pela XBot.

Dessa forma, as empresas não aplicam inteiramente seus recursos em pesquisas internas, podendo comprar ou licenciar processos de inovação (como patentes) de outras empresas ou grupos de pesquisas.

"Em linhas gerais, a XBot buscou promover uma rede de relacionamento envolvendo empresas e laboratórios de pesquisas em universidades com foco na geração de soluções e aplicações baseadas em suas plataformas robóticas", explica.