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Xavantes querem chefe de ''Cocar''

Publicado em 29 maio 2017

Indígenas da etnia xavante, querem assumir a coordenação do Distrito de Saúde Indígena - Dsei - Barra do Garças. Eles reclamam de má gestão do coordenador e que a saúde dos índios está comprometida pela falta de medicamentos e de atendimento básico. Em Brasília, o Deputado Federal Valtenir Pereira é responsável pela saúde indígena no estado e faz a indicação do profissional para assumir o cargo de coordenador.

O cacique Robson Juruna, da aldeia de São Marcos, diz que nunca assumiram a liderança da instituição, por isso acham o tratamento injusto por parte do Dsei.

No entanto, Joel Hipólito Lima Góes, coordenador do Dsei afirma que não pode indicar um xavante para concorrer ao cargo de coordenador, por falta de índios qualificados para ocupar o cargo. “Nossa convivência é pacífica e os índios têm todo o direito de protestar” disse Joel.

Segundo a Fundação Nacional do Índio - Funai, várias atividades de capacitação são oferecidas aos indígenas nas áreas de proteção territorial e ambiental, mas nenhuma no campo da gestão administrativa. Faz parte do processo de descentralização de funções e inclusão da administração pública a capacitação indígena. “Há 500 anos estamos esperando por oportunidades iguais. Somos capacitados para o cargo de coordenador, mas sempre assume alguém que não é indígena” disse Juruna.

Uma reportagem feita por Peter Moon para a Agência Fapesp em Janeiro do ano passado, mostra que numa população total de 4.065 indivíduos em São Marcos e Sangradouro/Volta Grande,  66% dos xavantes sofrem com obesidade, diabetes e doença coronariana. O consumo de alimentos industrializados principalmente refrigerantes e o sedentarismo têm causado um aumento expressivo nos casos de Síndrome Metabólica entre os índios xavantes das reservas de São Marcos e Sangradouro/Volta Grande, ambas no Mato Grosso.

Laura Graham diz no site: Povos Indígenas do Brasil que: apenas 86% das crianças sobrevivem até os dez anos de idade. Em muitos casos, as causas de morte resultam de doenças tratáveis, de precárias condições sanitárias, que poderiam ser melhoradas com medidas básicas de saúde pública. Doenças gastrointestinais e infecções respiratórias respondem por uma significativa proporção de mortes de crianças. Em várias aldeias, excrementos humanos chegam às fontes de água de que se servem os membros da comunidade.

A insatisfação é antiga. Em Setembro do ano passado, Francis Amorim, jornalista do site RDNews, mostrou a indignação dos indígenas contra o coordenador que já eram pelos mesmos motivos. Na ocasião, o cacique Marcos Xavante, da Terra Indígena Parabubure, disse que: “Nosso povo está morrendo. 40 idosos e 62 crianças morreram neste ano. O coordenador não faz nada por nós. Não está preocupado em nos atender. Quer apenas fazer política”.

No dia 10 deste mês, uma reunião envolvendo 9 lideranças xavantes aconteceu na aldeia de São Marcos. Além de lideranças xavantes, o Secretário Nacional da Saúde Indígena, Marcos Antônio Toccolini, estava presente, onde foram apresentados a situação da saúde xavante. Das 9 tribos presentes, 8 apresentaram voto contrário sobre a permanência do atual coordenador. Contudo o Deputado Valtenir não estava presente.

Por Fernando Lino/Da Redação