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WWF-Brasil entrega prêmio ambiental durante Expedição Darwin

Publicado em 15 outubro 2009

Dr. Carlos Nobre recebe Prémio WWF-Brasil Personalidade Ambiental durante a passagem da Expedição Darwin pelo Rio de Janeiro. Comandada por Sarah Darwin, tataraneta do naturalista, a expedição refaz o trajeto da viagem que Charles Darwin realizou no século XIX, pelo Hemisfério Sul.

Rio de Janeiro - A grande contribuição científica para a compreensão do aquecimento global e os impactos das alterações climáticas na Amazônia é a razão pela qual o Dr. Carlos Nobre, pesquisador-titular e coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é o ganhador desta edição do Prêmio WWF-Brasil Personalidade Ambiental.

A premiação foi realizada na noite do dia 13 de outubro (terça-feira), durante a passagem da Expedição Darwin pelo Rio de Janeiro, a bordo do veleiro Clipper Stad Amsterdam, atracado no Pier Mauá. A expedição refaz a viagem que o naturalista Charles Darwin fez pelo Hemisfério Sul, no século XIX.

"O prêmio é uma maneira de expressarmos o nosso reconhecimento a personalidades que realizam um trabalho consistente e sistemático na área ambiental, alinhado com a missão do WWF-Brasil e com os ideiais da organização", explica o presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil, Álvaro de Souza.

"A escolha do Dr. Carlos Nobre é fruto da sua carreira científica que muito contribui para um melhor entendimento sobre as relações entre as florestas tropicais e o clima, os efeitos do desmatamento nas mudanças climáticas e os potenciais impactos do aquecimento global sobre a Amazónia", completou Álvaro de Souza.

Além de pesquisador do INPE, o Dr. Carlos Nobre exerce a secretaria-executiva da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas (Rede CLIMA), a coordenação-executiva do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, e é presidente do Comité Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP).

O Dr. Nobre foi também um dos autores do Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) que, em 2007, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o ex-vice-Presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Recebeu, em 2007, o Prémio da Fundação Conrado Wessel, na área de Meio Ambiente. O Dr. Nobre formulou em 1991 a hipótese pioneira da "savanização" da Amazónia por conta do aquecimento global, que hoje é referência importante em todo o mundo.

Entregue a cada dois anos, Prêmio WWF-Brasil Personalidade Ambiental é concedido a uma pessoa reconhecida por seu trabalho pela conservação da natureza e pela promoção do desenvolvimento sustentável no nosso País. A primeira edição do prémio foi entregue a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Expedição Darwin - Iniciativa da rede de TV pública holandesa VPRO, a Expedição Darwin integra a comemoração dos 200 anos de nascimento do inglês Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do livro "A Origem das Espécies". Com o apoio da Rede WWF, a expedição percorre o trajeto do HMS Beagle pelo Hemisfério Sul, que tinha Darwin entre seus tripulantes. No total, serão 12 países visitados até maio de 2010.

A expedição, que conta com a participação da bióloga Sarah Darwin, tataraneta do naturalista, partiu da Inglaterra no final de agosto e chegou ao Brasil, em Fernando de Noronha, no dia 30 de setembro. Como na viagem original, a expedição passou por Salvador, entre os dias 5 e 7 de outubro, e chegou ao Rio de Janeiro no dia 12, onde ficará atracada no Pier Mauá, até sexta-feira, 17.

Sarah não conhecia muito sobre a história de seu famoso ancestral quando pequena. Pensava que seu sobrenome era originário de um lugar chamado Darwin, localizado na Austrália. A identificação com tataravô não demorou muito a aparecer. Sarah formou-se em Biologia e pesquisou o tomate de Galápagos durante o doutorado no Museu de História Natural de Londres, em colaboração com a Universidade de Londres e a Estação de Pesquisa Charles Darwin, nas Ilhas Galápagos, além de dedicar-se ao estudo de plantas invasoras. Um dos principais personagens da Expedição Darwin, Sarah não esconde o valor sentimental desta viagem e tenta entender de perto a visão, os sentimentos e os desafios da viagem de Charles Darwin, em 1831.

WWF-BRASIL alerta que o futuro das espécies pode estar comprometido pelo aquecimento global - Em 2007, o IPCC - Painel Intergovernamental de Mudança Climática, alertou que até 30% das espécies do planeta enfrentam um risco crescente de desaparecerem se a temperatura global aumentar em 2°C. Inúmeras pesquisas realizadas pela Rede WWF apontam que poucos estarão imunes aos efeitos do aquecimento global, que, futuramente, poderá ser considerado a principal causa da extinção de espécies no século XXI. A situação se agrava nas espécies que já são fortemente pressionadas pela ação humana, como pinguins, onças-pintadas, jequitibá, imbuia, entre tantas outras.

Você sabia que...: • Muitas espécies de plantas e animais são extremamente sensíveis a pequenas alterações nas condições ambientais, como temperatura e umidade? E que as mudanças climáticas colocam em risco milhões de espécies em nosso planeta, podendo gerar extinções em massa durante este século?

• As mudanças climáticas poderão provocar alterações dramáticas em diversos ecossistemas de nosso planeta, como as florestas tropicais, as geleiras dos pólos e os recifes de corais?

• Um aumento da temperatura do planeta entre 2 e 3 °C poderia colocar em risco 43% das florestas e suas espécies, e que 40% das florestas da Amazónia poderiam se transformar em ambientes com estrutura similar a de um cerrado muito mais pobre em diversidade de espécies?

• Mais de 70 espécies de sapos tropicais estão sendo dizimadas pela ação de um fungo que se beneficia de temperaturas mais altas em nosso planeta?

• Processos migratórios e reprodutivos de várias espécies de mamíferos, pássaros, peixes, répteis, insetos e plantas poderão mudar dramaticamente com o aquecimento global, com consequências imprevisíveis para sua sobrevivência?

• O aumento de temperatura das águas dos oceanos pode provocar impactos severos no fitoplâncton, que é o primeiro elo da cadeia alimentar marinha, e que isso pode afetar significativamente as populações de peixes e a pesca nos trópicos?

• O aquecimento global poderá provocar grandes impactos nas populações de tartarugas marinhas, já que elas desovam nas praias, que serão afetadas pelo aumento do nível do mar? E que o aumento de temperatura da Terra pode provocar um desequilíbrio na proporção entre machos e fêmeas de uma mesma espécie, já que a determinação do género destes animais se dá pela temperatura da areia da praia durante a incubação dos ovos - temperaturas mais quentes geram fêmeas, e mais frias geram machos?

• O aquecimento global coloca em risco crescente pelo menos quatro espécies de pinguins da Antártica?

• 20% das áreas protegidas que abrigam os elefantes africanos podem tornar-se climaticamente inviáveis para a sobrevivência desta espécie em 2080? [ www.wwf.org.br / http://beagle.vpro.nl/#page/item/429

Perfil do WWF-BRASIL - O VWVF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza. Tem por objetivo harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações.

Criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país por meio de parcerias com empresas, organizações não-governamentais, órgãos dos governos federal, estaduais e municipais, desenvolvendo atividades de pesquisa e diagnóstico; proteção de espécies e de ecossistemas ameaçados; desenvolvimento de modelos alternativos de conservação e uso dos recursos naturais; capacitação e desenvolvimento de entidades parceiras; disseminação de resultados por meio de educação ambiental, políticas ambientais e comunicação; e campanhas de mobilização social.

O WWF-Brasil integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de cinco milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários. No Brasil, além da sede na capital do país, tem ainda outros cinco escritórios: São Paulo, Rio Branco, Manaus, Campo Grande e Belém. A instituição conta também com ampla estrutura para atuar em escala nacional, trabalhando nos biomas Amazónia, Pantanal e Mata Atlântica, mantendo uma vasta base social, que inclui seu quadro de afiliados, parceiros e doadores.