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Inovação Unicamp

Workshop reuniu empresas em São Paulo

Publicado em 21 setembro 2009

"O Brasil é o berço da indústria do biocombustível moderno", afirmou Lee Lynd, logo no início de sua apresentação como convidado principal do Workshop on Processes for Ethanol Production (Oficina sobre Processos para Produção de Etanol), reunião do Programa Bioen da Fapesp realizada em 10 de setembro em São Paulo. Lynd é um pioneiro no estudo do processo de hidrólise enzimática, usado para produção de etanol a partir de celulose e pesquisa temas ligados ao assunto há mais de 30 anos. Em linhas gerais, esse processo usa enzimas para hidrolisar as moléculas de celulose que formam caule e folhas de uma planta, por exemplo. "Hidrolisar" significar quebrar as moléculas de celulose e combiná-las com água. O processo resulta na obtenção de açúcares que são então fermentados e convertidos em etanol. A parte final do processo é semelhante ao método de produção de etanol usado no Brasil, em que o caldo de cana - basicamente, glicose - se torna etanol por fermentação.

Professor do Dartmouth College, no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos, cofundador e sócio da empresa Mascoma, que desenvolve uma rota tecnológica para produção de etanol celulósico, ele também criou o Projeto de Sustentabilidade Global, Global Sustainability Project, em que pretende reunir estudiosos para examinar questões relacionadas ao contexto regional e continental da produção de biocombustíveis. No workshop, Lynd pôde acompanhar os planos de outras empresas como Petrobras, Dupont, Dedini e Amyris, que mostraram a evolução de suas pesquisas e os caminhos de seus negócios em biocombustíveis.

Petrobras

Marcos de Freitas Sugaya, da Petrobras, falou da manutenção do interesse da petrolífera pelo etanol apesar da descoberta das reservas de petróleo do pré-sal. Ele também contou as dificuldades para produção de biodiesel. "Diesel ainda é o mais importante combustível para os transportes no Brasil; por isso, a Petrobras investiu mais em biodiesel [do que em etanol. Nota da E.] em 2008", justificou. Essa política mudou: a partir de 2009, dos US$ 2,8 bilhões previstos de investimento em biocombustíveis pela Petrobras até 2013, 16% irão para biodiesel e 84% para etanol. Desse total, haverá US$ 500 milhões, 17,8%, para investimento em pesquisa e desenvolvimento. A mudança se deu porque o preço do óleo de soja - matéria-prima para a fabricação do biodiesel - estava mais alto do que o do petróleo, segundo ele.

"Estamos empolgados com o etanol de segunda geração e com o uso da biomassa de resíduos agrícolas", disse ele. Desde 2008 a Petrobras opera uma planta-piloto no Rio de Janeiro para estudar como produzir etanol a partir de celulose. Em três anos, a empresa quer ter uma planta que opere em escala de demonstração da tecnologia. Por enquanto, a estratégia da Petrobras está muito mais dirigida à compra de ações de empresas de etanol que na montagem de unidades de produção.

O executivo da Petrobras mencionou que países europeus escolheram misturar o etanol ao ETBE (etil tercio butil éter) - e não à gasolina. O ETBE é feito a partir de etanol e, na Europa, substitui o MTBE, (metil tercio butil éter), que é poluente. "Não estou dizendo que o ETBE é uma solução melhor que misturar etanol à gasolina, mas devemos discutir mais profundamente esse assunto e entender por que esses países resolveram usar etanol para ETBE", acrescentou. Há interesse da Petrobras em defender o uso do ETBE aqui: a empresa tem plantas produtoras de MTBE desativadas por falta de compradores ? ela produzia MTBE para os Estados Unidos, que deixaram de usar o aditivo por causa dos problemas ambientais. A Petrobras poderia usar essas plantas para produzir ETBE.

DuPont Biofuels

O brasileiro Wilson Araújo, da DuPont Biofuels, contou em sua apresentação que até o final de 2009 a empresa pretende fazer uma demonstração da tecnologia, desenvolvida em uma planta no Tennessee (EUA), em parceria com Genencor, que fabrica enzimas. A Dupont Biofuels é a divisão da multinacional criada em 2006 nos Estados Unidos para cuidar de pesquisa e desenvolvimento em produção de etanol de segunda geração e que também estuda a produção de biobutanol, composto que poderá ser misturado à gasolina.

O brasileiro Wilson Araújo, da DuPont Biofuels, contou em sua apresentação que até o final de 2009 a empresa pretende fazer uma demonstração da tecnologia, desenvolvida em uma planta no Tennessee (EUA), em parceria com , que fabrica enzimas. A Dupont Biofuels é a divisão da multinacional criada em 2006 nos Estados Unidos para cuidar de pesquisa e desenvolvimento em produção de etanol de segunda geração e que também estuda a produção de biobutanol, composto que poderá ser misturado à gasolina.

A planta de demonstração nos EUA inclui uma unidade produtora das enzimas usadas no processo de hidrólise - a quebra da celulose para obtenção de açúcares a serem fermentados e convertidos em etanol. O investimento, para três anos, é de US$ 140 milhões (aproximadamente R$ 255 milhões). A DuPont usa milho como matéria-prima. Desde 2006 a empresa estuda com a BP, na Grã-Bretanha, a produção de biobutanol. Lá, operam uma planta de demonstração da tecnologia. São mais de 70 pedidos de patente para o estudo.

Dedini

Paulo Eduardo Mantelatto, da Dedini, comentou que a empresa tem se preocupado, do ponto de vista tecnológico, com a colheita de cana mecanizada e sem queima. Isso faz chegar à usina uma matéria-prima com mais impurezas, o que afeta a qualidade do caldo extraído e os volumes de açúcares obtidos para fermentação. Com a colheita mecanizada e sem queima, os caminhões também levam mais palha, e a melhoria do preparo industrial da cana gera maior produção de fibra. É preciso encontrar destinação para esse maior volume de resíduos gerados com a melhoria dos processos, segundo ele. Esses resíduos, se o processo de hidrólise enzimática atingir viabilidade comercial, podem ser também matéria-prima para a produção de etanol.

Paulo Eduardo Mantelatto, da Dedini, comentou que a empresa tem se preocupado, do ponto de vista tecnológico, com a colheita de cana mecanizada e sem queima. Isso faz chegar à usina uma matéria-prima com mais impurezas, o que afeta a qualidade do caldo extraído e os volumes de açúcares obtidos para fermentação. Com a colheita mecanizada e sem queima, os caminhões também levam mais palha, e a melhoria do preparo industrial da cana gera maior produção de fibra. É preciso encontrar destinação para esse maior volume de resíduos gerados com a melhoria dos processos, segundo ele. Esses resíduos, se o processo de hidrólise enzimática atingir viabilidade comercial, podem ser também matéria-prima para a produção de etanol.

Amyris

Jonas Nolasco, da Amyris Biocombustíveis, contou que a companhia deve ter em 2010 uma planta comercial que produzirá um substituto para o diesel a partir de cana-de-açúcar ? uma outra rota para obtenção de biocombustíveis. O novo sistema, que a empresa investiga na planta-piloto instalada no Techno Park, em Campinas, não altera o processamento da cana nem afeta o bagaço a ser usado para produção de energia. A fermentação é diferente: a empresa usa um biocatalizador engenheirado ? quer dizer, um catalisador orgânico que resulta de manipulação genética. O executivo disse, ainda, que a empresa quer partir para a produção de gasolina de aviação. (J.S.)

Jonas Nolasco contou que a companhia deve ter em 2010 uma planta comercial que produzirá um substituto para o diesel a partir de cana-de-açúcar - uma outra rota para obtenção de biocombustíveis. O novo sistema, que a empresa investiga na planta-piloto instalada no Techno Park, em Campinas, não altera o processamento da cana nem afeta o bagaço a ser usado para produção de energia. A fermentação é diferente: a empresa usa um biocatalizador engenheirado - quer dizer, um catalisador orgânico que resulta de manipulação genética. O executivo disse, ainda, que a empresa quer partir para a produção de gasolina de aviação.