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Workshop na FEAUSP debaterá influência da sociedade civil na organização dos mercados

Publicado em 25 agosto 2010

O Nesa - Núcleo de Economia Socioambiental da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, realizará nos dias 30 e 31, das 8h30 às 18h, um workshop internacional sobre Governança Corporativa Influenciada pela Sociedade Civil na América Latina: Questões Críticas para Pesquisa e Oportunidades para Colaboração. O evento discutirá as mudanças nos mercados de algumas das principais commodities agrícolas e industriais brasileiras (soja, bicombustíveis, madeira, carne, algodão, óleo de palma, aço) causadas pela crescente participação de organizações não-governamentais em seu interior.

Segundo Ricardo Abramovay, professor do Departamento de Economia da FEAUSP e coordenador do Nesa, "a mudança é de mão dupla: as empresas e as associações empresariais passam a procurar parâmetros de julgamento de suas atividades que vão muito além do balanço contábil ou da remuneração dos acionistas. Isso supõe a formulação de vários indicadores como o uso de materiais e energia, o balanço das emissões de gases de efeito estufa e o conhecimento dos impactos do que fazem as firmas tanto sobre a biodiversidade como sobre as populações que se encontram ao longo de suas cadeias de valor."

As próprias ONGs, diz Abramovay, também alteram seus procedimentos. "Tornam-se protagonistas de negociações diretas com o setor privado, o que exige preparação técnica e um tipo de agenda quase ausente de seu horizonte até alguns anos atrás." O coordenador do Nesa cita exemplos, como o Instituto do Carvão Social, iniciativa compusória que controla condições de trabalho na cadeia da siderurgia, e a moratória da soja, na Amazônia, que desde 2006 põe em prática um sistema em que as empresas participantes não compram o produto vindo de áreas recentemente desmatadas.

Abramovay explica que "a pesquisa recente sobre o tema mostra pelo menos quatro traços importantes dessas novas formas de organização dos mercados.

Em primeiro lugar, apesar de inspiradas inicialmente por produtos de nicho (agricultura orgânica, café e cacau de comércio justo — fair trade, entre outros), compromissos em torno de padrões produtivos entram de forma impressionante no mundo dos produtos indiferenciados, das commodities: o respeito aos parâmetros da Better Sugar Initiative, pode exemplo, deverá ser condição decisiva para que o etanol brasileiro possa fazer parte da descarbonização da matriz energética dos transportes na União Européia."

O segundo traço fundamental dessas novas formas de certificação, de acordo com Abramovay, é que elas tendem a atingir segmentos altamente internacionalizados: em mercados globais aumentam as chances de pressão social e os riscos empresariais de perda de reputação no caso de denúncias com alta repercussão pela mídia. O terceiro traço vem do fato de que nem todas as firmas são igualmente sensíveis a essas pressões. Como mostram os trabalhos de Thierry Hommel, da Fondation Natitonale des Sciences Politiques, empresas cujos ativos não são facilmente transferíveis e que contam com grandes investimentos iniciais são mais propensas ao diálogo social. A quarta característica é que, exatamente por se tratar cada vez menos de produtos de nicho, "esses padrões socioambientais só podem operar de forma minimamente eficiente com base em interação construtiva com o Estado. Quer se trate da regularização fundiária na Amazônia e na Indonésia ou do cumprimento da legislação ambiental e trabalhista, as exigências socioambientais do setor privado dificilmente podem ser cumpridas sem um aparato legislativo e um corpo administrativo estatal minimamente eficiente."

O workshop

Organizado pelo Nesa e pela Universidade do Texas, com o apoio da Associação de Estudos Latino-Americanos (Lasa) e da Fapesp, o workshop contará com a presença de pesquisadores latino-americanos, dos Estados Unidos e da França, entre eles Michael Conroy, especialista em certificação para o desenvolvimento sustentável, Tim Bartley (Indiana University), Thierry Hommel (Anses), Maria Emilia Correa (Casa de La Paz y Universidad Adolfo Ibáñez, Santiago do Chile), João Paulo Candia Veiga (FFCLH e IRI/USP), Reginaldo Magalhães (IFC, Procam e Nesa), Marcel Djama (Cirad), Ricardo Abramovay (FEAUSP e Nesa), Charles Hale (Llilas/UT), Eve Fouilleux (Cirad), Julia Guivant (Ufsc) e José Antonio Puppin de Oliveira (UN University).

Também participarão do evento, como debatedores, Roberto Smeraldi (Amigos da Terra — Amazônia Brasileira), Leda Paulani (FEAUSP), Hélio Mattar (Instituto Akatu pelo Consumo Consciente), Roland Widmer (Amigos da Terra — Amazônia Brasileira), Roberto Waack (FSC), Bruce Wise (IFC), Karin Kaechele (ICV) e Luiz Fernando Guedes Pinto (Imaflora).

Todas as palestras e debates serão em inglês. Os professores, pesquisadores e estudantes que não estiverem em São Paulo poderão acompanhar as palestras e debates ao vivo pelo site http://www.iptv.usp.br. Para consultar o programa completo do workshop, acesse http://www.nesa.org.br. A inscrição pode ser feita na hora, no local do evento.

Local: Sala da Congregação da FEAUSP, Prédio FEA1, av. Professor Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária, São Paulo (SP).

FEAUSP

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP) é uma instituição pública de ensino e pesquisa conhecida no país e no exterior pela excelência de seus cursos, pela qualidade de sua produção acadêmica e pelos inúmeros serviços prestados à comunidade. Na linha de frente das instituições que formam economistas, administradores e especialistas em contabilidade e atuária no Brasil, a FEAUSP pauta suas atividades pelos elevados padrões da Universidade de São Paulo e alia o conhecimento sobre a realidade brasileira ao referencial teórico e metodológico dos mais avançados centros de conhecimento internacionais.