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Workshop discute relatório do IPCC sobre Riscos de Extremos Climáticos e Desastres

Publicado em 31 julho 2012

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, vão realizar, nos dias 16 e 17 de agosto, um workshop para discutir o resultado das avaliações feitas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no Relatório Especial sobre Gestão dos Riscos de Extremos Climáticos e Desastres (SREX, na sigla em inglês) nas Américas do Sul e Central. O evento acontece em São Paulo, e é organizado em parceria com o IPCC, o Overseas Development Institute (ODI) e a Climate and Development Knowledge Network (CDKN), ambos do Reino Unido.

Denominado "Gestão dos Riscos dos Extremos Climáticos e Desastres na América Central e na América do Sul - O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre Extremos - SREX?", o workshop visa divulgar informações científicas sobre os possíveis impactos de riscos dos extremos climáticos - como ondas de calor, recordes de temperaturas altas e forte precipitação de chuvas - e dos desastres a eles relacionados, bem como as opções disponíveis para o gerenciamento desses impactos, especificamente nas Américas do Sul e Central.

Com o apoio da Agência de Clima e Poluição e do Ministério de Relações Exteriores da Noruega, do CDKN e do IPCC, o workshop tem por objetivo reunir os chamados tomadores de decisão - líderes empresariais, acadêmicos, pesquisadores e organizações da sociedade civil cujas políticas ou programas possam ser afetados por eventos climáticos extremos.

Durante o encontro serão abordadas questões como exposição e vulnerabilidade no contexto do relatório, com observações sobre extremos climáticos, impactos e perdas, opções de gerenciamento de riscos para a melhoria de práticas atuais e futuras. Composto por nove capítulos e quatro anexos, o Relatório Especial sobre Gestão dos Riscos de Extremos Climáticos e Desastres (SREX) do IPCC foi preparado durante dois anos por 220 autores de 62 países, envolvendo os grupos de trabalho I e II do próprio painel do IPCC. Foram recebidos 18.784 comentários de governos, de especialistas e agências internacionais durante as três rodadas de revisão.

O workshop em São Paulo faz parte de uma série de eventos, com caráter de discussão regional, realizados em 2012 em diferentes partes do mundo, com o objetivo de fornecer informação sobre possiveis impactos dos extremos climáticos e desastres por região, além de opções de gerenciamento dos potenciais riscos deles decorrentes, conforme as avaliações do IPCC.

O evento incluirá uma coletiva de imprensa, apresentação do Relatório Especial por seus autores, sessões especiais para discussão sobre a política nacional e regional e um conjunto de mini-workshops, destinados a promover o diálogo e a partilha sobre as implicações do Relatório Especial para as partes interessadas e formuladores de políticas em níveis local, regional e nacional.

Fatores ambientais e sociais

De acordo com informações divulgadas pelo IPCC, as alterações no clima do planeta têm sido responsáveis por padrões de eventos extremos, em diversas partes do mundo. As consequências desses eventos poderiam ser reduzidas, pois vulnerabilidades sociais e exposição a riscos também contribuem para seu impacto, embora nem sempre eventos climáticos levem a desastres.

O SREX é resultado de um esforço multidisciplinar entre os cientistas que estudam os aspectos físicos das mudanças climáticas, e de suas experiências em impactos, adaptação e vulnerabilidade, bem como de peritos em gestão de risco de desastres. Os dados e informações contidos no relatório permitem, portanto, que os formuladores de políticas possam aprofundar as discussões, com base nos resultados e no exame do material em que o IPCC baseia suas avaliações. O relatório identifica as lições aprendidas com a vasta experiência no gerenciamento de riscos de desastres, com foco crescente na adaptação para mudanças climáticas.

O relatório destaca períodos prolongados de altas temperaturas e ondas de calor em diversas regiões do mundo. Indica o provável aumento na frequência de eventos de precipitação intensa ou aumento na proporção do total de chuvas intensas em muitas áreas, em especial nas latitudes elevadas e em regiões tropicais, e no aumento do rigor do inverno nas latitudes médias do Norte do planeta. O documento também aponta para um aumento na duração e intensidade das secas em algumas regiões do mundo, incluindo o Sul da Europa e do Mediterrâneo, Europa Central, América Central e México, além da África Austral e em diferentes áreas da América do Sul.

Especialistas da academia prepararam um documento de 592 páginas, com base nas mais recentes informações técnicas e científicas, e o submeteram a duas rodadas de revisões, feitas por especialistas e governos. "Há muitas opções atualmente disponíveis que poderiam melhorar a preparação para uma resposta eficaz aos eventos climáticos extremos e catástrofes, e aumentar a recuperação a partir deles", diz Vicente Barros, vice-presidente do Grupo de Trabalho II.

Jose Marengo, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do INPE, um dos autores do Relatório do IPCC SREX e um dos organizadores do evento, destaca a importância do relatório para as Américas Central e do Sul nas ações dos governos para enfrentar os desastres naturais associados principalmente a chuvas intensas e períodos secos. "O aumento já observado dos extremos de chuva no Sudeste da América do Sul mostra um forte impacto em sistemas naturais e humanos, em áreas urbanas e rurais, incluindo áreas vulneráveis da cidade de São Paulo, que são afetadas pelas intensas chuvas e enchentes, todos os anos", diz. Esta tend ência poderá piorar no futuro, caso não sejam tomadas medidas para a adaptação, pois as projeções mostram uma tendência de aumento nos extremos de chuva em regiões densamente povoadas, como o Estado de São Paulo, entre outros.