Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Workshop aborda desafios de análise toxicológica diante de contaminantes

Publicado em 07 outubro 2009

Por Isabel Gardenal

Uma iniciativa pioneira no Brasil reuniu quem estuda, quem consome e quem produz água no I Workshop sobre Contaminantes Emergentes em Águas para Consumo Humano, realizado nesta quarta-feira no Centro de Convenções da Unicamp. Seu organizador, o professor do Departamento de Química Analítica do Instituto de Química IQ da Universidade, Wilson Jardim, considera o encontro um antigo anseio de procurar entender questões que abordam os principais desafios da análise toxicológica de matrizes ambientais diante dos inúmeros contaminantes em misturas complexas, e que estão traduzidos no projeto temático da Fundação de Amparo ao Ensino e à Pesquisa, Fapesp, sobre a ocorrência de compostos com atividades estrogênicas nos mananciais e águas para consumo humano no Estado de São Paulo. Encabeçado pelo professor Wilson Jardim, o projeto tem como parceiros a Faculdade de Tecnologia de Limeira, a Cetesb e a Unesp de São José do Rio Preto.

Segundo Wilson Jardim, este tema é muito discutido no país mas pouco se sabe a respeito, sobretudo acerca dos vários compostos usados, por exemplo, em nanomateriais, nos protetores solares e nos hormônios sintéticos para contracepção. São vários compostos nãolegislados e sobre os quais ainda existe dúvida se podem, ou não, causar danos à saúde humana e aos ecossistemas. Muitos compostos têm sido classificados como interferentes endócrinos, embora ainda não haja um consenso sobre seus efeitos biológicos em condições naturais. O projeto da Fapesp traça a primeira radiografia de como estão as águas no Estado no tocante à presença destes compostos.

Já nesta terçafeira, o assunto começou a ser avaliado durante encontro na Casa do Professor Visitante, que teve amparo de pesquisadores das Universidades da Flórida e de Madri, e da Agência de Proteção Ambiental Americana. Tal trabalho, pontua Wilson Jardim, tem aspecto inovador porque junta a química e as respostas das atividades estrogênicas com vistas a calibrar os dados que vão surgindo. Com ambos é possível medir o quanto eles se refletem nessas atividades e se o que estávamos procurando compreender interferia nos ensaios de estrogenicidade.

O projeto já está em andamento há mais de um ano e terá duração de três anos no total. Além de Wilson Jardim, que trabalha há duas décadas com a Bacia do Rio Atibaia, participam da pesquisa cerca de 25 alunos, que devem gerar trabalhos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pósdoutorado.

Falando sobre o panorama no Estado, Wilson Jardim refletiu que houve aumento da densidade populacional, mas prossegue pobre a bacia de saneamento. Os mananciais, utilizados como fonte de água para consumo humano, foram se deteriorando em qualidade, de acordo com o especialista, por empregarem os mesmos processos de 50 anos atrás. E estudar os riscos com a participação, no Workshop, de 35% de profissionais que trabalham em concessionárias de água enriquece o encontro, que busca a troca de informações.