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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

Wilson Marini: pesquisadores tentam desvendar o vírus zika

Publicado em 14 janeiro 2016

O vírus zika, desde novembro associado à explosão de casos de microcefalia no país, com foco em Pernambuco, já é prioridade em universidades paulistas. Uma rede formada por professores de 32 laboratórios no Estado deu início a estudos para tentar desvendar como ele atua no organismo humano e verificar se, de fato, pode causar microcefalia, e como. A informação consta da edição de janeiro da revista Pesquisa Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. De acordo com a publicação, hoje se sabe apenas que o zika pertence à família do vírus da dengue e da febre amarela. Mas não se conhece cientificamente a forma como infecta as células, como chega ao tecido cerebral e nem se provoca diretamente lesões no cérebro.

 

A equipe do médico Maurício Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), uma das envolvidas nos estudos no Interior Paulista, vai monitorar 2,2 mil pessoas pelos próximos cinco anos a fim de identificar qual a porcentagem das pessoas infectadas pelo zika é assintomática (estima-se atualmente que chegue a 80%) e o risco real de microcefalia nos bebês de gestantes infectadas. O neuroimunologista Jean Pierre Peron, da USP, injetou o vírus diretamente no cérebro de camundongos no final de dezembro para verificar se o próprio vírus lesa o cérebro ou se os danos decorrem de um ataque exacerbado do sistema de defesa contra o Zzka. A bióloga Patrícia Beltrão Braga vai analisar o que o zika provoca em células humanas. A rede de pesquisadores é coordenada pelo virologista Paolo Zanotto.

 

 

Desde maio

A iminência da chegada do vírus zika do Estado de São Paulo foi noticiada por esta coluna no último dia 20 de maio sob o título "Vem aí o zika vírus". Na ocasião, o vírus tinha passagem registrada oficialmente apenas no Norte e Nordeste, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. "Mas a migração é questão de tempo. Foi assim com a dengue", antecipou a coluna, com base nas evidências. No dia 22, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou o primeiro resultado positivo de febre pelo vírus zika em São Paulo num homem de 52 anos de Sumaré, município próximo a Americana e Campinas. A doença é caracterizada por febre baixa, olhos vermelhos sem secreção e sem coceira, erupção cutânea com pontos brancos ou avermelhados e dores musculares, de cabeça, nas costas e articulações.

 

 

zika e zica

Muitos associam de forma irônica o vírus zika à expressão popular "zica", que tem o significado de azar ou problema (por exemplo, fulano está numa "zica danada"). Mas o nome do vírus se deve à sua primeira ocorrência, em 1947, na floresta de Zika, em Uganda, na África. Agora, é uma autêntica zica para os brasileiros.