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Gazeta Expressa

WhatsApp pode ajudar a reduzir sintomas de depressão em idosos, revela estudo (86 notícias)

Publicado em 28 de maio de 2024

Um estudo realizado com idosos no município de Guarulhos, localizado no estado de São Paulo, revelou que o uso do WhatsApp pode ser eficaz na redução dos sintomas de depressão. A pesquisa, recebeu suporte financeiro da FAPESP e foi publicada no periódico Nature Medicine, tendo envolvido 603 participantes com mais de 60 anos, usuários de Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Os participantes foram divididos em dois grupos: um grupo de intervenção, com 298 pessoas, que recebeu mensagens de WhatsApp duas vezes por dia, quatro dias por semana, durante seis semanas, com conteúdos sobre depressão e ativação comportamental; e um grupo-controle, com 305 pessoas, que recebeu uma única mensagem educacional. Ao final do estudo, 42,4% dos participantes do grupo de intervenção apresentaram melhoria nos sintomas depressivos, em comparação com 32,2% no grupo-controle.

Segundo Marcia Scazufca,professora na pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e pesquisadora científica no Hospital das Clínicas, “este resultado sugere que a intervenção por mensagens móveis foi eficaz no tratamento de curto prazo da depressão em idosos em áreas com recursos limitados de saúde”.

A ferramenta de triagem utilizada foi o PHQ-9, que avalia a presença e gravidade dos sintomas de depressão. Foram selecionados para o estudo aqueles com pontuação de dez ou mais, indicando depressão moderada a grave. As mensagens enviadas aos participantes do grupo de intervenção eram principalmente de voz e imagens, adaptadas para uma fácil compreensão.

Segundo o Governo do Estado de Sao Paulo, o programa, chamado “Viva a Vida”, demonstrou ser um recurso de baixo custo e fácil implementação, com potencial para ser replicado em outras regiões com condições socioeconômicas similares.

“A diferença de pouco mais de dez pontos entre a melhoria dos participantes do grupo de intervenção e dos participantes do grupo-controle talvez pareça pequena, mas, considerando que o programa ‘Viva a Vida’ tem um custo extremamente baixo e o potencial de alcançar uma enorme faixa da população, esses 10% podem significar milhões de pessoas. Além disso, o ‘Viva a Vida’ deve ser visto como um primeiro passo, que pode vir a ser combinado com outras formas de intervenção. É preciso dizer que a grande maioria das pessoas que participaram não recebia antes nenhum tratamento para depressão. Nem estavam diagnosticadas como portadoras desse quadro”, concluiu a pesquisadora.