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Mar Sem Fim

Vulcão na Amazônia? Tem sim senhor!

Publicado em 30 outubro 2021

Por João Lara Mesquita

Ela se supera. O Inferno Verde, como a chamou Euclides da Cunha, é um patrimônio da América do Sul, em especial do Brasil, e da humanidade (patrimônio, repetimos). Sua riqueza é inigualável, seja em biodiversidade, seja em farturas minerais, ou no maior volume de água na Terra. Em sua foz, o Amazonas despeja no mar 100 milhões de litros d’água por segundo (100.000 m3/s). E ainda existe na Amazônia um oceano subterrâneo, um gigantesco aquífero em Alter do Chão com nada menos que 160 trilhões de metros cúbicos, volume 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani. Mas há outras riquezas geológicas: vulcão na Amazônia é apenas mais uma delas.

Vulcão na Amazônia? Tem sim senhor!

O portal da Amazônia explica: ‘No sul do Pará, dois morros escondem 2 dos mais antigos vulcões do mundo. Formados há quase 1,9 bilhão de anos. Apesar da idade, o primeiro vulcão só foi identificado na região no início dos anos 2000’.

E acrescenta: ‘Ao longo da formação da Terra, a Amazônia, há cerca de 2 bilhões de anos, foi um gigante campo de vulcões ativos. A atividade vulcânica foi constante na região por cerca de 300 milhões de anos, durante a era geológica conhecida como Paleoproterozóica’.

O geólogo Caetano Juliani, professor do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo), explicou ao portal da Amazônia:

Na época em que encontramos o primeiro, nós achávamos que todos tinham por volta de 1,88 bilhão de anos. Hoje já estamos vendo vulcões de até 2 bilhões de anos

O que teria gerado o vulcanismo na Amazônia?

Segundo Juliani, houve uma intensa movimentação da placa oceânica para baixo da camada continental.

Vimos, inclusive, duas fases de placas oceânicas abaixo da Amazônia e temos convicção de que isso gerou o vulcanismo

Formação dos vulcões

Fomos buscar a resposta no https://www.coc.com.br para ajudar o leigo a melhor compreender a resposta de Juliani sobre a formação do vulcão na Amazônia.

‘Os vulcões são estruturas geológicas que se desenvolvem próximos às margens das placas tectônicas. Segundo os cientistas, a crosta terrestre não é formada por uma camada contínua’.

‘A Terra tem uma série de rachaduras, as quais dividem a superfície em partes, como um gigantesco quebra-cabeça. Essas placas estão em constante movimentação, já que elas estão sobre o manto, camada terrestre de rochas derretidas’.

Foram estas mesmas forças movimentando as placas, as responsáveis pela criação da maior cadeia de montanhas da Terra, um espetáculo submarino conhecido como Cadeia Dorsal Mesoatlântica.

Curioso, não, o mais antigo do mundo justamente na Amazônia.

‘De acordo com especialista, a estrutura geológica tem 1,9 bilhões de anos, sendo que foi ativo num passado remoto. Mas, atualmente os riscos de voltar à ativa são praticamente nulos’.

Entenda o que são os vulcões

O site explica de maneira simples, rápida e fácil de entender: ‘Os vulcões são os canais de contato entre o interior da Terra e a superfície da mesma, os quais podem ocorrer em forma de montanhas ou mesmo na superfície plana, através de fendas’.

“Aquilo era o inferno na Terra”

Pesquisando, achamos outra matéria com entrevista do professor Caetano Juliani, desta vez no prestigiado site da Revista Fapesp.

‘Uma sucessão de dezenas de vulcões espirram grandes quantidades de cinzas e de projéteis de rocha derretida que riscam o ar incandescentes. Rios de lava jorram crateras afora e descem pelas encostas, se espalhando e moldando uma nova paisagem’.

‘É isso que o geólogo Caetano Juliani, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), vê quando navega pelos rios Tapajós e Xingu ou sobe os morros em meio à Floresta Amazônica, no Pará’.

‘O cenário enxergado pelo geólogo existiu há quase 2 bilhões de anos e apenas suas cicatrizes permanecem até hoje para quem sabe enxergá-las’.

Aquilo era o inferno na Terra”, brinca Juliani. O site da Revista Fapesp mostra que eram muitos os vulcões na Amazônia. ‘Nos últimos anos, porém, o grupo da USP encontrou mais vestígios de dezenas de vulcões – descaracterizados pela erosão, mas com uma assinatura inconfundível nas rochas’.

‘Os grandes ciclos vulcânicos costumam ser planetários’

‘Os grandes ciclos vulcânicos costumam ser planetários”, explica Juliani. Para ele, o que está registrado na Amazônia conta a história de boa parte da Terra naquele período’.

As descobertas de Juliani e seus alunos encantaram não só os brasileiros, mas também a comunidade científica mundial, através de seu artigo Well-preserved Late Paleoproterozoic volcanic centers in the São Félix do Xingu region, Amazonian Craton, Brazil, publicado no Journal of Volcanology and Geothermal Research.

Ilustração de abertura: https://www.worldatlas.com/

Fontes: https://www.estudopratico.com.br/vulcoes-no-brasil-fotos-e-informacoes/;https://portalamazonia.com/amazonia/voce-sabia-que-existem-vulcoes-na-amazonia;https://revistapesquisa.fapesp.br/inferno-na-terra/; https://www.coc.com.br/blog/soualuno/geografia/por-que-atualmente-nao-existem-vulcoes-no-brasil.

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