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Votorantim mira alternativas para matéria-prima e coprocessamento

Publicado em 14 outubro 2016

Por Jéssica Kruckenfellner

São Paulo - A Votorantim Cimentos acredita que a diminuição do consumo de energia no processo produtivo - e consequente redução da emissão de CO2 - pode elevar a competitividade. A estratégia depende do avanço do coprocessamento e novas matérias-primas.

"Na indústria de cimento, em que a utilização de energia é significativa, o investimento em ações sustentáveis no âmbito da redução de emissões de CO2 tem impactos positivos em redução de custos e, consequentemente, aumento de competitividade", comentou o presidente executivo da Votorantim Cimentos, Walter Dissinger.

Os planos da fabricante de cimento também vêm ao encontro das exigências que a indústria como um todo terá nos próximos anos. Com o Acordo de Paris, estabelecido na 21ª Conferência das Partes (COP-21), entrando em vigor no dia 4 de novembro, os executivos da companhia e especialistas em sustentabilidade reconhecem que parte significativa da redução na emissão de gases do efeito estufa precisa partir das indústrias.

"O setor industrial tem duas alternativas: reduzir o consumo de energia, proveniente em grande parte de combustíveis fósseis, ou encontrar novas fontes para sustentar o processo produtivo", afirmou o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg. Para ele, o acordo firmado a partir da COP-21 reforça a tendência de que a indústria do futuro será de baixo carbono.

"Estamos tentando substituir o clínquer como matéria-prima na produção de cimento, mas é preciso investir em pesquisa para buscar alternativas a isso", disse Dissinger. Além de consumir combustíveis fósseis, a produção de clínquer - feita a partir do calcário - emite muito CO2.

O fator clínquer na produção de cimento da Votorantim caiu de 76,1% em 2013 para 73% no ano passado. A meta até 2020 é atingir 72%.

Outra frente na estratégia da Votorantim Cimentos é a eficiência energética a partir do coprocessamento. O aproveitamento de resíduos sólidos na produção de cimento, destacou o executivo, já é feito pela companhia, entretanto, para que essa iniciativa avance, é necessário ter uma regulamentação dessa atividade.

Entraves

"O coprocessamento é positivo porque entra na lógica da economia circular, que considera o resíduo de uma indústria como o possível insumo para outra. Mas o futuro dessa estratégia depende da capacidade que teremos de integrar essas pontas da cadeia produtiva", observou o advogado e consultor, Fábio Feldmann.

O diretor global de desenvolvimento corporativo da Votorantim Cimentos, André Leitão, vê a adequação às regras para o coprocessamento em cada Estado como um dos desafios para ampliar o aproveitamento de resíduos.

A busca por esses materiais, contou ele, é feita hoje por uma equipe da companhia que vai até as empresas para oferecer a destinação de resíduos para o coprocessamento.

"Devemos investir até R$ 300 milhões nessa área e nossa meta é até 2020 ter 40% de substituição [de matéria-prima] a partir do coprocessamento. Hoje essa participação chega a 17%, enquanto os parâmetros internacionais atingem 60%", informou Leitão.