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Global Research

Vitopel lança na Brasilplast o papel sintético feito com plástico reciclado

Publicado em 27 março 2009

A Vitopel, maior companhia latinoamericana e terceira no mundo na produção de filmes flexíveis biorientados, lançará oficialmente na 11ª Brasilplast sua mais recente inovação: o papel sintético produzido a partir de material plástico descartado pós-consumo. No evento, que acontece de 4 a 8 de maio no Anhembi, São Paulo, a empresa vai aproveitar a presença dos principais players do setor plástico para anunciar as parcerias já firmadas que garantirão que em breve a produção em escala comercial do papel plástico reciclado torne-se realidade.

O produto utiliza a tecnologia dos filmes de polipropileno biorientado (BOPP) - filmes plásticos que são usados em rótulos, embalagens de biscoitos, salgadinhos, pet food, na indústria gráfica, entre outras aplicações - porém contendo diferentes tipos de polímeros em sua composição. O resultado é um material resistente, similar ao papel "couché", que permite a escrita manual com canetas esferográficas, canetas de ponta porosa e lápis, e a impressão pelos processos gráficos editoriais usuais, como off-set plana ou rotativa.

O grande diferencial da inovação é que não há no mundo outra tecnologia desenvolvida para usar diferentes plásticos reciclados - como o PP, PE, EVA - na composição do papel sintético. Vindo de garrafas descartadas, rótulos, embalagens, frascos plásticos usados, entre outros, o material resulta em uma mistura homogênea, perfeita para a produção do filme. Graças a esse diferencial no desenvolvimento, o produto conquistou uma patente, depositada em nome dos três parceiros envolvidos: Vitopel, UFSCar e FAPESP.

O projeto, que levou cerca de três anos para ser desenvolvido, é fruto dos esforços da Vitopel e do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa - UFSCar). Os pesquisadores da universidade desenvolveram as formulações contendo material plástico descartado pós-consumo, e a Vitopel, além de fornecer a matéria-prima para o desenvolvimento, aprimorou as formulações originais e agregou a tecnologia para o desenvolvimento de filmes multicamadas, com tratamento que oferece ao produto final características como uma espessura mais fina, e ao mesmo tempo mais resistente, capaz de proporcionar excelente acabamento gráfico, durabilidade e resistência a água e contaminantes líquidos, etc. A parceria conta ainda com aporte da FAPESP.

A Vitopel já desenvolve filmes plásticos para papel sintético utilizando somente matérias-primas virgens. "A novidade neste caso foi a utilização de material reciclado vindo de coleta de plástico pós-consumo descartado, incluindo uma cesta de outros polímeros, visto que não é viável a total separação de cada tipo no processo de coleta seletiva. A inovação atenderá ainda os segmentos gráfico, de rótulos e etiquetas, de publicidade (banners e outdoors), entre outros", afirmou o diretor industrial da Vitopel, Sérgio Fernandes.

Os testes foram realizados no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Vitopel, o único da América Latina dotado de uma linha piloto para testes em escala semi-industrial, localizado na unidade da companhia, em Votorantim, SP. A fabricação desta linha de produtos poderá acontecer tanto em Votorantim, quanto nas outras unidades da Vitopel: em Mauá (SP) ou Totoral (Argentina).

A Vitopel investe anualmente cerca de US$ 2 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) "e detém outras patentes de produtos criados para diversos mercados, como o de embalagem entre outros" lembra o presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho. A companhia produz 150 mil toneladas de filmes flexíveis de BOPP por ano e prevê investimentos de US$ 55 milhões até 2010 na ampliação da produção.