Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Vitamina não pode faltar nem sobrar

Publicado em 16 julho 2010

Por Patrícia Azevedo

As vitaminas são substâncias essenciais para a vida, fazem o organismo funcionar adequadamente e garantem uma boa saúde. Não é à toa que cientistas do mundo inteiro se dedicam a estudar os efeitos delas no combate, prevenção e controle de várias doenças. Mas da mesma forma que têm o poder de curar, o consumo excessivo pode provocar danos consideráveis e até a morte. "O excesso é tóxico e pode causar uma série de problemas, como demência e câncer" , informa o médico nutrólogo e pesquisador da Unicamp Edson Credidio.

As vitaminas têm na sua estrutura compostos nitrogenados que o organismo não consegue sintetizar e participam ativamente de quase todos os processos do metabolismo. "Elas agem como coenzimas, agilizando o processo metabólico e não são produzidas no corpo" , conta o especialista em ciência dos alimentos.

Existem dois tipos de vitaminas, as hidrossolúveis (que são dissolvidas em água) e a lipossolúveis (dissolvidas em gorduras). Quando ingeridas em excesso, as hidrossolúveis são eliminadas rapidamente na urina. As lipossolúveis (A, D, E e K), por sua vez, se dissolvem na gordura e não são eliminadas. O consumo indiscriminado de compostos vitamínicos, que são comprados sem receitas médicas nas farmácias, é um perigo para a saúde. "Só o médico, com base em exames pode determinar se a pessoa está com a alguma deficiência de vitamina e prescrever suplementos" , reforça.

Um exemplo sobre a ação das vitaminas no organismo é a B6, que é necessária para o funcionamento adequado de mais de sessenta enzimas e essencial para a síntese normal do ácido nucléico e das proteínas. Credidio explica que ela participa da multiplicação de todas as células e da produção das hemácias (células do sangue) e das células do sistema imunológico. Sua deficiência pode provocar anemia, distúrbios nervosos e diversos problemas de pele.

Presente nos legumes, leite e gema do ovo, a vitamina B1 converte o açúcar do sangue em energia, além de participar de algumas reações metabólicas fundamentais no tecido nervoso, coração, formação de células vermelhas do sangue e manutenção da musculatura lisa e esquelética. A deficiência provoca danos ao sistema nervoso e sintomas como confusão mental, distúrbios visuais e paralisia de alguns músculos do olho.

A vitamina A, que é essencial na visão e desenvolvimento ósseo, é altamente tóxica em excesso e pode causar má formação congênita se ingerida durante a gravidez, além de causar doenças ósseas nos portadores de insuficiência renal crônica.

Outra substância que pode provocar intoxicação grave é a vitamina C, uma das mais consumidas pelos brasileiros. Ela ajuda na formação de proteínas, aumenta a absorção de ferro, a resistência às infecções e desempenha papel importante na resposta imune e na cicatrização de feridas. O consumo excessivo, no entanto, pode provocar danos nos rins e escorbuto, doença caracterizada por feridas que não cicatrizam, gengivas que sangram, pele áspera e atrofia muscular.

A vitamina D desempenha um papel fundamental no controle do metabolismo do cálcio, mas a intoxicação causa náusea, vômito, constipação, cansaço, tontura e até hipertensão arterial, falência renal e coma.

Por isso, alerta o médico, o melhor caminho é buscar uma alimentação balanceada. Segundo Credidio, a melhor forma de garantir um equilíbrio na quantidade de vitaminas é a alimentação. "O melhor polivitamínico está no prato. Quanto mais colorido e variado, melhor" , finaliza.

Estudo sugere que vitamina D é arma contra Parkinson

Pesquisadores da Finlândia divulgaram um estudo recente relacionando a vitamina D com o menor risco de desenvolver doença de Parkinson. O trabalho foi publicado na edição de julho dos Archives of Neurology. Cientistas do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980. Os participantes foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioeconômicos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue. Em um período de 29 anos, 50 dos participantes desenvolveram mal de Parkinson. Análise da condição de cada um deles mostrou que os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis - os participantes foram divididos em grupos com relação aos níveis da vitamina. O organismo produz vitamina D com a exposição ao sol. Os pesquisadores ainda não sabem precisar a relação entre a doença e a vitamina. (Com Agência Fapesp)

Saiba mais

Estudo recente relaciona a alta concentração de vitamina B no sangue com o menor risco de desenvolver câncer de pulmão. De acordo com os cientistas europeus do Fundo Mundial para Pesquisas sobre o Câncer (WCRF), altos níveis de vitamina B6 e do aminoácido metionina podem reduzir esse risco pela metade. Os pesquisadores acompanharam 400 mil pessoas por oito anos em 10 países europeus.