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O Povo

Vitamina E para portadores de Alzheimer

Publicado em 11 maio 2008

Portadores de Alzheimer que ingerem vitamina E aparentemente vivem mais do que aqueles que têm a doença e não fazem uso do suplemento. A conclusão é de um estudo apresentado na 60ª reunião anual da Academia Norte-Americana de Neurologia, ocorrido em Chicago (EUA). No estudo, um grupo de cientistas avaliou 847 portadores de Alzheimer durante uma média de cinco anos. Cerca de dois terços tomaram duas vezes por dia cápsulas com mil unidades internacionais de vitamina E junto com um inibidor de colinesterase, usado no tratamento da doença. Menos de 10% tomaram apenas vitamina E e 15% não ingeriram a vitamina.

Os pesquisadores verificaram que aqueles que ingeriram a vitamina, com ou sem o inibidor de colinesterase, apresentaram risco de morte 26% menor do que os demais. "Trabalhos anteriores apontaram o papel da vitamina E no adiamento da progressão da doença de Alzheimer moderadamente severa. Agora, conseguimos mostrar que a vitamina aparentemente também aumenta o tempo de sobrevivência dos portadores", disse um dos autores do estudo, Valory Pavlik, da Faculdade de Medicina Baylor, no Texas.

O estudo também indicou que a mistura da vitamina E com o inibidor de colinesterase pode ser mais eficaz do que receber apenas o medicamento. "Os resultados mostraram que as pessoas que tomaram o inibidor sem vitamina E não tiveram um benefício em seu tempo de vida. No entanto, mais estudos são necessários para determinar os motivos", disse Pavlik.

Além dos suplementos vitamínicos, diversos alimentos são fontes importantes de vitamina E, como vegetais verdes, sementes e óleos vegetais. As principais fontes de vitamina E são: óleos vegetais (amendoim, soja, palma, milho, cártamo, girassol, etc.) e o gérmen de trigo. As nozes, as sementes, grãos inteiros e os vegetais de folhas verdes também fornecem vitamina E. (Agência Fapesp)

Mais Pesquisa

Quem bebe ou fuma em demasia corre maior risco de desenvolver mais cedo a doença de alzheimer do que aqueles que são moderados em qualquer das duas atividades. A afirmação é de outro estudo apresentado na reunião anual da Academia Norte-americana de Neurologia.

Os pesquisadores avaliaram 939 pessoas com mais de 60 anos com diagnósticos de possível ou provável para a doença. Foram reunidas também informações de membros das famílias sobre históricos de fumo e de uso de bebidas alcóolicas.

Em seguida, os autores determinaram se os participantes tinham a variante A4 do gene apoE, cuja presença aumenta o risco da doença de alzheimer. Pessoas com a variante costumam desenvolver a doença antes das demais.

Os cientistas verificaram que 7% dos pacientes tinham histórico de beber pesadamente - definido como o consumo de mais de dois drinques por dia. Quanto ao fumo pesado, de mais de um maço por dia, esteve presente em 20% dos participantes. Desses, 27% apresentava a variante genética do apoE.

Os autores do estudo descobriram que aqueles que bebiam pesadamente desenvolveram alzheimer em média 4,8 anos antes. Aqueles que fumavam mais de um maço de cigarros por dia desenvolveram a doença em média 2,3 anos antes. E quem tinha a variante A4 manifestou a doença três anos antes do que os demais.

Segundo os cientistas, aqueles que tinham os três fatores desenvolveram a doença em média 8,5 anos antes do que quem não tinha nenhum deles. Os 17 pacientes que tinham a variante A4 e bebiam e fumavam pesadamente desenvolveram Alzheimer em uma idade média de 68,5 anos.

A doença se manifestou em média aos 77 anos para os 374 voluntários que não bebiam ou fumavam em excesso e que também não tinham a variante genética.

"Os resultados são importantes por indicarem que se pudermos reduzir ou eliminar o fumo e a bebida em excesso poderemos adiar substancialmente o início do alzheimer e mesmo reduzir o número de pessoas com a doença", disse Ranjan Duara, do Centro Médico Monte Sinai e um dos autores do estudo.

"Projeções anteriores estimaram que um atraso de cinco anos na manifestação da doença levaria a uma redução de quase 50% no total de casos da doença. O novo estudo destaca que esses dois fatores, fumar e beber pesadamente, estão entre os mais importantes para se tentar prevenir o Alzheimer", afirmou Duara.

FONTE: Agência Fapesp