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Vitamina D: o que a ciência já sabe sobre a suplementação

Publicado em 16 agosto 2019

Por Time Conexão

A ciência vem descobrindo diversos benefícios relacionados à vitamina D. No entanto, mesmo estudos preliminares estão sendo usados para levantar boatos sobre os “superpoderes” do pró-hormônio em blogs, entre influenciadores digitais e até mesmo profissionais da saúde.

Até mesmo pacientes portadores de esclerose múltipla ou doenças autoimunes estão apostando em doses cavalares da vitamina para aliviar sintomas. Estudos a respeito ainda estão sendo conduzidos. Um deles – realizado por cientistas das universidades Johns Hopkins, Duke e Stanford –, conduzido com 40 portadores da doença, apontou que megadoses diárias reduzem sensivelmente os sintomas e reduzem o estado inflamatório sem comprometimento das defesas. Isso significaria que a superdose é segura e, possivelmente, eficaz.

“Existem evidências de possíveis ações não ósseas da vitamina D que ainda necessitam de comprovação definitiva. Devido a isto, tem-se atribuído ações milagrosas a ela, de que poderia curar múltiplas doenças. Mas a vitamina D não é cura de todos os males como vem sendo divulgado”, diz presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), Sergio Maeda.

Recentemente, descobriu-se que a maioria das células do corpo humano possui receptores para vitamina D – o que serviu de base para que seu uso fosse sugerido para prevenir e auxiliar no tratamento de diversos tipos de doenças crônicas, como asma, diabetes, infarto, AVC e até mesmo Alzheimer.

“Porém, essa descoberta – quando associada à dificuldade da população em tomar sol – acabou criando um mercado fértil e milionário de consumo indiscriminado de suplementos. Por isso existe o exagero na indicação e consumo”, aponta Filippo Pedrinola, endocrinologista e autor do livro “Um Convite à Saúde” (Ed. Abril).

O que já se sabe sobre os benefícios da vitamina D?

“Sabemos que existem mais de 200 genes relacionados à regulação da vitamina D, sendo que ela teria mais de 80 funções no corpo. A mais conhecida e comprovada é de que a vitamina D facilita a absorção de cálcio pelo intestino e, com isso, faz com que haja melhor qualidade de ossos e dentes, prevenindo osteoporose em adultos e raquitismo nas crianças”, afirma Pedrinola.

Desta forma, as principais ações dessa vitamina estão relacionadas ao metabolismo ósseo: “mineralização óssea, controle da secreção de paratormônio e ações no tecido muscular”, completa Maeda.

Enquanto estes mecanismos já são devidamente comprovados, pesquisadores estudam outros possíveis efeitos da vitamina D em outras questões. Uma delas é a síndrome metabólica. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp) encontraram uma forte associação entre a deficiência do nutriente e a síndrome em mulheres no período de pós-menopausa.

Os mesmos estudiosos também pesquisaram a relação entre a deficiência de vitamina D e o câncer de mama em mulheres no mesmo período. Descobriu-se que as participantes com insuficiência ou deficiência de vitamina D tiveram uma maior proporção de tumores com grau avançado ou metastático. O resultado foi publicado no The Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology.

“A hipovitaminose pode promover repercussões, seja no câncer de mama, doenças vasculares, seja na síndrome metabólica”, disse Eliana Aguiar Petri Nahas, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMB e uma das autoras do estudo, à Agência Fapesp.

Segundo Pedrinola, mais estudos estão sendo desenvolvidos para comprovar sua atuação no sistema imunológico – que, ao que tudo indica, é de importância considerável. “Quando há deficiência de vitamina D no organismo, pode haver modulação negativa no sistema imunológico.”

Descobriu-se, ainda, receptores de vitamina D no pâncreas que, como é sabido, produz e mantém os níveis de insulina. Por isso, manter essa vitamina em níveis adequados estaria relacionado à prevenção do diabetes.

O que ponderar antes de receitar a suplementação de vitamina D?

“Não recomendamos a medida da vitamina D na população geral e sim nos pacientes no grupo de risco”, afirma. Este grupo inclui:

idosos; pacientes com fratura ou osteoporose; portadores de síndromes de má absorção; usuários de corticoides grávidas; pacientes com restrição à exposição solar; indivíduos com obesidade ou sobrepeso; portadores de doença renal crônica.

Por outro lado, ela não é recomendada para pacientes com hipercalcemia e indivíduos jovens, saudáveis e com nível de exposição solar adequado. “Doses excessivas de vitamina D podem levar à hipercalcemia, litíase renal e perda da função renal. Como é um lipídio, o quadro de intoxicação pode durar meses”, alerta Maeda.

As hipóteses científicas apresentadas acima não incluem hiperdoses de vitamina D mas, sim, suplementação quando há deficiência. Por isso, antes de prescrever, é indicado solicitar um exame de sangue para verificar os níveis no organismo do paciente.

“Estima-se que metade da população tenha deficiência, mas é importante solicitar o exame. Se o nível estiver abaixo de 30 nmol/L, indica-se a suplementação, visto que o ideal é entre 30 e 50 nmol/L. Acima de 125 nmol/L, a vitamina D pode ser tóxica. Isso ajudará médicos e pacientes a tomarem cuidado com a coqueluche da suplementação”, finaliza Pedrinola.